Semana de carnaval. Domingo, como sempre na época, matinê para as crianças.Uma menina do Rio de Janeiro. Seu nome eu não sei, não publicaram.Li apenas uma parte de sua história, a mais triste.
Domingo de carnaval. Uma menina.Nove anos. Apenas nove anos de vida. e o que sabe de maldade uma criança de nove anos? Nada. Sabe de sorrisos, de desenhos, de carinhos. Sabe que existe mas não sabe o porquê. Sabe que quando alguém a ama, cuida.Nove anos, meu Deus, tanto ainda pra viver, pra sorrir, pra dançar, pra encantar.Tantos pássaros pra ver, água pra mergulhar, vida pra encontrar, carnavais para pular. Nove anos e a vida se acaba.Se era loira ou morena, linda ou feia, gorda ou magra? Não sei. Desde o domingo de carnaval virou um corpo apenas. Uma notícia no jornal. Violentada. Agredida. Assassinada. E abandonada perto do Museu de Arte Moderna, no aterro do Flamengo. O corpo, não a menina. Um corpo apenas estendido no chão, depois da maldade feita, me fez chorar. Um corpo que nem conheci... Um sorriso que nunca vi... Mas uma criança. Como a minha. Como a sua.
Eu acessava o jornal on line e...ninguém, havia reclamado o corpo no domingo. Nem na segunda. Nem na terça. O jornal anunciava na notícia que sete dias sem ninguém reclamar o corpo, a menina seria enterrada como indigente. Absurdo saber que uma criança desaparece de sua casa e ninguém vai atrás, ou não nota, ou sei lá o que acontece nos corações desumanos.
Penso na alegria da menininha, vestida de foliã, de fantasia para pular o carnaval. Penso em como devia estar feliz, a felicidade própria das crianças mesmo, aquela pura e estranha de ser feliz por nada. Aquela felicidade que tantas vezes esquecemos.E tudo isso cortado por um homem que viu malícia num corpo pequeno e frágil. Indefeso. Um monstro.Que violenta e mata crianças para obter algo que hoje em dia é distribuído sem problemas.E o corpo ficou lá jogado.Depois esperando no IML alguém aparecer, oq ue só aconteceu depois de três dias...Triste história de um anjo que deve ter sido bem recebido no céu, já que na terra...
Mas o corpo é irrelevante no sentido global da morte. O monstro não matou o corpo. Matou os sonhos, matou a inocência, matou as gargalhadas lindas que as crianças dão. Matou as oportunidades. Matou a vida que ela poderia ter e a que ela teve.Imagino a dor de uma criança a pedir socorro e choro... pensando nas atrocidades que vem acontecendo com as crianças em nosso país. Choro pelas mães que não merecem ter filhos porque não sabem ser mães, pois mandar uma filha de nove anos sozinha a um carnaval é, no mínimo, falta de preocupação, irresponsabilidade.

Choro por você, minha anjinha.

Choro por você não ter sido amada como deveriam ser todas as crianças.

Descanse em paz!

Jô Angel