Primeiros socorros

01 de Novembro de 2011 Fernanda com F Crônicas 869

A mente aberta dos homens se restringe a duas bolas. Grandes e siliconadas, os olhos se perdem lá dentro, os sentidos se fundem e criam enorme sensação de prazer... A princípio. Sirene de ambulância, luz paradisíaca, médicos, tais quais “primos Basílio” em cima de uma cama bem mais estreita que a minha. Em cima de mim. Ai! Era só papo, papo, apertos, beliscões, ia do êxtase ao fundo do poço. Desmaiei.
Sabia que da primeira vez não ia ser tão fácil. Tinha que tomar precauções, se não “já era”. Por que ninguém me avisou que doía? Não que isso me fizesse abolir a prática até o fim da vida, porém esperaria mais um tempo, pensaria melhor, faria num local mais apropriado, com uma cama melhor, uma equipe melhor, objetos mais eficientes. Meu Deus! Aquele homem parecia ser quase médico, estar brincando de médico. Não pela falta de experiência, mas pela empolgação com que mexia lá dentro. Ele parecia estar gostando, já eu, gostaria ou não, só depois. Mulher tem destas vias perfeccionistas.
O repouso era lento, cheio de cuidados. Ainda estava meio dopada, meio tola, toda aberta, eu pensava. Tudo, porém, cicatrizava com o tempo. Com os homens, infames, não acontece nada. Não têm curvas com que se preocupar; só se importam com seus grandes bisturis, pois, é claro, quanto maiores, mais podem torturar, provocar delírios da parte do paciente.
Já estava em casa quando acordei dos meus devaneios. Não podia nem me levantar nem olhar para baixo. Não enxergava o chão, mas adorava aquele sentir. Tanto gostei, que me vinha à cabeça aumentar a quantidade, de nove em nove meses, mas seriam muitos custos. Teria de comprar roupas maiores, um carro maior, lingeries maiores... Não. Melhor parar por aqui com meus implantes de silicone.

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