É engraçado morar em um país com tantos contrastes culturais como o Brasil.Engraçado e triste ao mesmo tempo.Explico.
Já há algum tempo, que na família, tenho a pecha de “intelectual”.Até hoje não sei se é só pra me irritar, ou meus familiares acham realmente isso de mim.
Mas a verdade é que nas festas, reuniões e coisas desse tipo em família, volta e meia escuto um primo, tio, ou vó soltar um “ah, mas o fulano é o intelectual da família, cuidado pra não falar besteira na frente dele, hein?” ou “olha, se for falar de musica fique esperto porque ele é roqueiro”.
Deixo bem claro aqui que o que me catapultou ao status de celebridade, foi o simples fato de ter sido um bom aluno, cdf mesmo, desde moleque, de ter um curso técnico e faculdade, e ter o estranho “vício” da leitura.
Atos simples que todo brasileiro deveria ter a disposição, e que, infelizmente, tornaram-se luxo.
Argumento que cultura não se adquire só na escola.Que se não gosta de livros, tente um jornal, revista, bula de remédio, sei lá.Que se eu gosto de rock, não é porque sou um ET, mas porque quando ouço Calypso (argh!) tenho espasmos e a terrível sensaçao de que o mundo vai acabar em seqüências musicais dissonantes.E se realmente existe inferno, a trilha sonora lá é uma maratona interminável de bandas de axé.
Aos poucos eles me isolam, e depois da 3º latinha de cerveja eu começo a falar sozinho mesmo, porque sei que “eu’ me entendo.Minha esposa também, se bem que as vezes noto que ela me olha com um misto de estupefação e vontade de me estrangular.
Dia desses estava no caixa do supermercado e pesquei uma revista veja da gôndola de revistas.Ao mesmo tempo escuto um “aí intelectual”, me viro e era um amigo meu debochando da minha escolha.
Intelectual ?!
Se não gostar de big brother for pré-requisito, aceito o título.