Todos nós, algum dia, seremos assombrados por nossos fantasmas.O tétrico suspiro de inúteis recordações tem hora marcada com cada um de nós.
Se transmutam virtualmente em nossas mentes, algumas vezes até materializando-se por uma fração de segundo, logo ali, do outro lado da rua, desvanecendo de repente, por puro capricho ectoplásmico.
Por que lembrar-se angustiadamente de amores de um passado remoto?Que fantasma ingrato é esse, que vem em forma de um rosto lânguido e sequioso, de sorriso maravilhoso, a nos atormentar durante a noite, alojando-se em nosso peito, chutando-o por dentro, na cruel tentativa de nos despedaçar?

Quanto tempo faz?Cinco, dez, vinte anos?

Por que essa repentina volta, esse regresso ao nosso coração?

Alguns fantasmas são apenas palavras, frases ditas que foram soterradas pela lama do tempo, que resvalam vez ou outra em nossos pensamentos, cobrando escolhas, bifurcações mal selecionadas, que nem sempre foram nossas melhores cartadas, mas que agora, muito pouco significam e muito pouco podemos fazer para reverte-las.
Outros espectros são verdadeiros Gasparzinhos, gargalhando em nossos ouvidos, trazendo cenas boas e queridas da nossa infância ou adolescência, relembrando quando éramos imortais, e tínhamos todo o tempo do mundo.
No fundo, querem nos mostrar o quanto envelhecemos, e trazem a milhagem percorrida em nossa tentativas de viver intensamente, sem nunca termos conseguido.

Eles persistem, e a cada dia que passa, tornam-se mais reais, mais inquisidores.Corações partidos, amizades cortadas por interesses, viagens não realizadas, palavras não ditas.

Tão pouco tempo, e muito a ser realizado.