Estou chegando aos 40.Tudo bem que mês que vem completo ainda 39, mas não tem como não notar, a metamorfose ambulante na qual vou me transformando.
Até bem pouco tempo atrás, eu achava que era Highlander, imortal, um Tom Cruise mesmo.Não sentia os efeitos da passagem dos anos, mesmo já nos 30 e poucos.
De repente, de uma hora prá outra:POU!

Toda a conservação que eu ostentava veio por terra.Em uma semana eu era um boyzão, paizão enxuto, moço.Na outra, fui promovido para tio, coroa, “seu fulano”.

Minha barriga me traiu, não volta mais ao seu estado natural de tanquice.Sobressaiu-se em detrimento do meu peitoral, que por sinal, perdeu toda sua pujança dos tempos de surfistão, restando apenas ruínas flácidas de outrora.
Voltando a famigerada pança, pude constatar ser realmente a mais pura verdade, que ela impede uma visualização completa do bilau.Estou começando a me preocupar.

Meu preparo físico está em curva descendente.Não agüento correr cem metros, subir dois andares, dar três.Ok, duas.

Minhas ressacas duram três dias, fico doidão com duas latinhas, me dá sono e vou dormir.

Não faço mais sucesso com as Lolitas, nem com as moçoilas, nem com as balzacas.Quem me olha agora são as velhas.E as putas, mas acho que é por causa do meu carro.

O cabelo branco tá dominando tudo, já não surtindo mais tanto resultado minha técnica de arrancar com pinça.

Os pelos da canela e da panturrilha se foram.As unhas encravadas proliferam.

Os peidos estão mais freqüentes, volta e meia me borro, e a azia e as dores nas costas, encontraram em mim um “nosso lar”.

As rugas faciais finalmente se apresentaram, meus dentes começam a dar sinais de fuga.

Carne me faz mal, leite me faz mal, amendoim me faz mal.Infelizmente, whisky também me faz mal.

Cheguei ao purgatório entre ser coroa e ser tiozão, passos preliminares da próxima fase, que é ser velho.
Sim, velho.Ninguém vende um carro velho dizendo que é da “melhor idade”.
No máximo, semi-novo.