Levanto-me, eles gritam meu nome, querem me ver e me ouvir, já me aplaudem antes de tudo acontecer.
A senhora timidez tenta me convencer a desistir, entretanto o barulho que eles fazem e o calor humano são mais fortes e uma voz ansiosa sussurra em meu ouvido: “Vá em frente!”
Eles me querem. Será que tenho a capacidade para satisfazê-los? Será que aquela multidão se contentará com meu conteúdo? Dúvidas, muitas dúvidas. Esqueço-as e prossigo, mostro tudo que tenho. Eles parecem gostar, todos prestam atenção em mim.
Meu espetáculo tem um fim mágico, eles me aplaudem de pé!
A sensação de realização corre o meu corpo, tenho uma overdose de alegria. Alegria essa que tem como fonte o público, que por sua vez me motivaram a fazer tudo isso. É um ciclo em que todas as partes ganham.
Por mais que haja alguma pressão psicológica no início, vale a pena cada gota de suor, cada piscada nervosa de olho, cada travada de língua.
A energia vem deles, é convertida em motivação dentro de mim, transforma-se em conteúdo e é revertida para eles.
Logo penso: “Eu sou bom em alguma coisa, sou útil a alguém.”