Ele ia cambaleando e pegando Ivete por trás. Tipo encochando mesmo. Alceu era fogoso, como Ivete dizia. “Sai, ome fogoso. Dexa eu tomá um gole”, protestava ela aos agarrões invasivos, enquanto virava o litro de Jamel goela abaixo. Eles eram um casal feliz. Seus corações eram inebriadamente apaixonados. De fato. Tinham três filhos. Juliano, Jaime e Jackson. Trigêmeos de oito anos. Os meninos estavam em casa. Ficavam lá para que os pais fossem buscar o pão. “trabalhar antes dos 12, 13 não”, sentenciava Alceu. A cada esquina percorrida, o casal avistava algo que pudesse ser negociável. Às vezes dava sorte de achar um guarda-roupas desmontado. Aí dava gosto de puxar os 200 quilos do carrinho, comentava Alceu. Ivete não carregava, só juntava as coisas do chão, sincronizando com goles descontrolados. Ela andava bebendo demais, pensava Alceu. Ele bebia bastante também, mas não tanto quanto Ivete, que avistava uma cadeira de praia abandonada, com rasgões e ferrugens nas pernas. Sem perder tempo, ia catando ao passo que cuspia e tossia copiosamente. Apanhava a cadeira com uma mão só. Tomava mais um gole e Alceu a pegava pela cintura, desconfiado se ela poderia estar esperando o quarto.
Antes do anoitecer, eles voltavam para o lar, bêbados depois de mais dia de trabalho. Andavam sete quilômetros puxando o carrinho meio vazio, mas com a sacola de pão fresquinho.