Pra começar, já vou dormir mal humorado. Acordo às 6 da matina, num muquifo fedorento, tendo que me apressar, pois o ônibus passa às 6h30, num ponto a duas quadras de casa. “Por que não acorda mais cedo?”, minha mulher me pergunta. Digo que não quero. Tá doido. Já não basta acordar a essa hora, trabalhar num emprego de merda. Arrumo-me na correria, mas pelo menos tenho alguns minutos a mais de sono. A caminho do serviço, milhares de coisas me vêm à cabeça: contas que pesam sobre meu nome, reunião da escola do meu filho – que nem mora comigo; a pensão também já está vencendo. Também preciso passar no mercado, depois do expediente, e comprar um monte de frescuras, que minha mulher anotou num papel. Falando nisso, nem sei onde tá esse papel. É tanta coisa. É tanto problema. Inclusive, há alguns dias venho sofrendo de uma dor na coluna. Fui ao médico. Sim, tive que ir. Ele me disse que preciso corrigir minha postura. Mais essa, preciso me preocupar com minha postura. O que mais preciso lembrar?