Viver é um presente maravilhoso, sem dúvida, mas precisamos ser no mínimo sábios para ter uma vida útil à humanidade, para deixar um legado que honre nossa estadia neste planeta, para não nos tornarmos apenas uma folha seca que aqui chegou e murchou sem marcar presença. Se não for assim, em inexistindo objetivos justificadores desse viver, a vida não passaria de uma folha de papel em branco onde nada foi escrito, a não ser rabiscos e garatujas inúteis. O destino dessa inutilidade, evidentemente, será o lixo do esquecimento. Se nos for possível, façamos do nosso viver uma palpável energia que se torne imprescindível aos nossos semelhantes, de forma a nos tornarmos aqueles cujas ausências deixem saudade entre os presentes.

A ideia que se tem da vida, geralmente, é a de um sério compromisso com a felicidade cotidiana, a de correr atrás de ser feliz, porém nem sempre essa meta consegue ser honrada em razão de inúmeros fatores alheios à grandiosidade do desejo. Mesmo porque essa tão falada e conceituada felicidade se abre a tantas e infinitas definições que, para uns, ela pode ser simplesmente ter o pão de cada dia para alimentar a família, uma casinha de sapé onde residir e um emprego digno para sustentar essas três alegrias simples. Já para outros ela talvez seja possuir mansões, viajar para a Europa, luxo e riqueza. Muitos dos que já possuem fortuna em excesso não se contentam, são insaciáveis e sempre querem mais e mais como se nada tivessem, diferentemente dos que buscam apenas possuir o necessário para viver condignamente. Como se vê, não há uma só visão quanto à felicidade, quiçá em razão disse ela não exista de verdade ou nunca possa ser encontrada, sendo tão-somente um sonho inalcançável.

A propósito de comentar sobre a utilidade de uma existência profícua e sonhar em ser feliz, também é preciso refletir sobre o que se diz por aí, livremente, a respeito do arrependimento. Quando alguém se arrepende é porque sua consciência mostrou o quanto o ato praticado foi errado e passível de punição, seja no sentido material ou mesmo no espiritual. Arrepender-se, portanto, é algo que vem da própria consciência do arrependido, isto é nasceu de seu íntimo, do seu mais profundo recôndito. É possível o arrependimento por alguma coisa não realizada, mas essa espécie de arrepender-se é totalmente diferente daqueloutra, não brota do remorso, da tristeza por ter praticado algo indigno ou por cometer um grave pecado, mas do repensar sobre o que poderia ter sido e não foi, de entender quão valiosa haveria de ser uma atitude se fosse tomada sem pestanejar.

Por conseguinte, melhor então seguir o caminho da vida sem olhar para trás pelo que foi de correto e ter agido segundo o bom senso, mas, por óbvio, revendo através do arrependimento os erros acaso cometidos apagando as pegadas e esquecendo a dor, buscando novos e desconhecidos horizontes porque o coração sempre exige mais emoções, e que sejam elas profícuas, legais e sinceras, há uma estrada a ser trilhada para novas oportunidades, que nunca, jamais se perca a esperança de prosseguir no intuito de, sim, ser feliz,claro, honre o pulsar de sua intuição.