Tão inútil quando um livro de páginas em branco. Tão rude e ríspido como uma pedra corroída pela erosão. Tão incompreensível quanto a vida.
Caso queira saber quem sou, quais são meus planos ou pelo o que eu vivo, desculpe, não posso lhe ajudar. Não, não é por descaso a você. Não sei responder sobre minhas peculiaridades adversas.
Por estes motivos, pergunto-lhe: quem sou eu? Já lhe contei sobre algum sonho? Alguém é minha razão de viver?
Ajude-me.
Há muito ando por este solo impermeável, mas nunca me questionara sobre as coisas mais óbvias da vida. Achava que ser como todos os outros já era o bastante, mas não é. Porém, como hei de ser diferente se nem sequer sei quem sou? Como hei de me destacar nesse mar de camuflados peixes podres?
Será que alguém perceberá quando, dentre muitos, um indivíduo não souber quem é, mas saber o que quer? E se perceberem, confiariam num desses eternos questionantes?