Um amigo me contou que uma mulher estava querendo “fazer o santo dela” (iniciar-se no candomblé), e perguntou se ele conhecia algum “pai de santo” (babalorixá) confiável. Ele indicou um, que ele sabia que não era charlatão e que provavelmente iria agradar a mulher. Ela foi ao terreiro indicado e gostou logo do lugar: Tinha o aspecto da prosperidade. Quando conheceu o babalorixá, também ficou encantada. O homem estava vestido como deve convir a um babalorixá: Roupas rendadas, colares, pulseiras e anéis de ouro... (tudo isso, na imaginação dela). Então ela resolveu que era ali que ela faria a iniciação dela. O babalorixá fez as coisas de praxe (que aqui não interessa), viu tudo que tinha que ver e resolveu recolher a mulher. Mas como reza na cartilha do candomblé, antes de recolher alguém, o babalorixá tem que consultar três outros da confiança dele, para confirmar o santo de cabeça da pessoa. Foi o que ele fez. Só para ilustrar, as duas primeiras casas que ele foi, eram do mesmo “quilate” que a dele. Mas a terceira era super simples. Então, no caminho, ele estava conversando com a iniciante: Eu sempre deixo esta casa por último, porque o que ela me disser está feito. Se ela disser que está errado, eu volto para rever tudo. Bem que eu poderia vir aqui somente, mas gosto de seguir os preceitos. Bem, a iniciante vendo o babalorixá dando tanto crédito a esta “mãe de santo” (ialorixá), deve ter imaginado um monte de coisas porque, quando chegaram diante da casinha humilde, e o babalorixá disse: É aqui! Ela se espantou: Aqui? E torceu boca, nariz, queixo... Foi quando o babalorixá disse: É aqui sim. Por que esse espanto? Porque está vendo uma casa humilde? Mas é aqui que mora o axé. Você viu minha casa cheia daquelas coisas, e eu estou vestido assim por isso, pra vocês levarem fé. Porque vocês só têm fé nisto: nas aparências.

A.J. Cardiais
04/03/2013