O menino entrou na sala de espera do consultório médico acompanhado de sua mãe. Sentou-se ao lado de uma senhora de mais ou menos sessenta anos. Ele trazia nas mãos um pequeno baú do qual ficava abrindo e fechando a tampa. O barulho incomodava e a senhora que, meio nervosa, perguntou:
- Meu filho, por que está abrindo e fechando este baú?
- É que eu estou tentando prender a tristeza dos seus olhos. – respondeu o menino inocentemente.

A senhora segurou a mão do menino e chorou copiosamente. Chorou para aliviar a dor, não a dor que sentia no peito, motivo da sua estada naquele consultório, mas a dor da perda do amado netinho da mesma idade do menino do baú.
Logo chegou a sua vez de ser atendida pelo médico. Ao sair da sala do doutor ela se aproximou do garoto e disse:
- Obrigada, menino! Agora que prendeu a minha tristeza que destino dará a ela?
Ele abriu o baú e respondeu-lhe:

- Veja! o baú está vazio. As lágrimas lavaram seus olhos expulsando a tristeza. Ela deve ter caído no chão e, como a sala está cheia de gente, ela deve ter fugido.
Um abraço carinhoso marcou a despedida da senhora e do menino que, com sua inocência, deu um pouco de conforto a alguém em desespero.

Maria Hilda de J. Alão