E de repente você se dá conta que seus atos realmente têm consequências. Que seu desprendimento e forma de agir são determinantes em coisas importantes. Quando se está perto dos trinta parece que essas reflexões tomam corpo. As responsabilidades são o fio norteador de cada dia. Não há mais espaço para omissão e descaso. Chegar em casa de noitinha, sujo, depois do futebol na rua com os amigos, tomar banho e se deparar com a comidinha pronta já não existe mais.
O que existe é a vida amadurecendo, concretizando a plenitude do ser, sem mais espaço para atos inconsequentes, como apertar o interfone de uma casa qualquer e sair correndo.
Vamos colecionando cicatrizes; algumas feridas ainda abertas, cóleras, apêndices e histórias. Mas tudo tende a fortalecer o âmago, o pélago do ser humano.
Aí notamos que o que fazemos deixa marcas nos lugares, no tempo e nas pessoas. Aí notamos que a vida dá a carta branca, e o jogo só termina quando acaba.