Rio de estímulos

24 de Outubro de 2012 Doug Mota Crônicas 714

O sol brilha forte e ilumina os cartões postais universalmente conhecidos que tenho o privilégio de ver pessoalmente todos os dias. No Aterro do Flamengo, o trânsito flui bem, fazendo a paisagem lá fora passar numa velocidade constante. A beleza da vista pela janela do ônibus ameniza a ansiedade para chegar ao meu destino.

Quantas personalidades históricas passaram ou moraram aqui, quantas decisões importantes foram tomadas aqui, quantas mentes se formaram nos centros acadêmicos daqui! A Urca tem muita estória pra contar, a minha é insignificante perante às de outras figuras muito mais notáveis do que eu.

“Por isso eu corro demais. Só pra te ver, meu bem.”

Já cantava um morador daqui.

Que beleza de lugar! Quantas árvores ao meu redor, quantos gatos peludos caminhando de um lado para o outro, quantas mentes trabalhando, quanta vida! O ar desse campus traz paz. Minha compania me traz alegria. O nome Universidade do Brasil e o símbolo imponente da Minerva me dão orgulho.Todos esses sujeitos formam um conjunto de energias positivas que afastam todo o mal.

Todo o mal? Na verdade, coisas boas em excesso se tornam ruins. Sentimentalmente falando, conforme a força da ligação entre duas pessoas cresce num dos polos da relação, um desequilíbrio surge, seguido de frustração e dor. Febre psicológica, calafrios, insônia e pensamentos incessantes são sintomas dessa doença, que ultrapassa os da paixonite adolescente.

Sensações incômodas que vêm acompanhadas de lágrimas e angústia, mas também de inspiração literária. Escrever: o único benefício de se passar por uma situação dessas. Transformar tristeza em arte e alimentar as cabeças e corações de um grupo de pessoas, mesmo que seja minúsculo, é gratificante.

O dia começa a se findar. As belezas já não estão tão visíveis. A tranquilidade dá lugar ao caos visual, auditivo e olfativo dos automóveis. As ruas vazias transmitem medo do espaço urbano. Gradualmente, o cenário se desfaz. O mar some, os prédios diminuem de tamanho e densidade na paisagem, o breu se torna onipresente. De volta ao subúrbio tedioso e sem amor.

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