Dia de corrida

31 de Março de 2013 sergio geia Crônicas 648

Confesso que não estava com a mínima vontade de perder tempo estudando um caminho adequado para chegar com tranquilidade à Dona Bella. Quando vi no jornal do meio-dia que todas as ruas por onde passaria a XXVIII Corrida General Salgado estariam fechadas, já imaginei o sufoco.

Pensei, pensei, e resolvi fazer o mais simples. Deixo o carro na Santa Teresinha e vou a pé, aproveitando para curtir um pouco do sossego da Armando Salles. E deu tudo certo.

Já estava tomando meu cafezinho quando o primeiro pelotão apontou na Praça da CTI. Não eram quenianos, mas tinham lá as pernas deles, ah, tinham!!! Pareciam pernas de seriema de tão finas e longas. Elas saltitavam, saltitavam que era uma beleza. Em poucos segundos, já carreavam seus donos para o começo da Nove de Julho.

Junto com meu pãozinho chapado chegou outro pelotão de corredores, esses num ritmo mais moderado. Eles trotavam. Um passo cadenciado, sereno, muito mais gostoso. O passo de quem vai longe.

Digo pra você que de uns tempos pra cá eu também dei de trotar. Como já caminho há bastante tempo, resolvi pular de fase, uma adiante, onde o gasto calórico é um pouco maior. E é uma delícia. A Monique lá da cidade simpatia disse que eu não vou querer saber mais de caminhar, e acho que ela está certa.

Procurei, procurei, mas não encontrei a turma da bagunça. É que a gente vê a São Silvestre, aquela profusão de faixas, de gente fantasiada de personagens famosos, que fui levado ao erro de achar que essa prova simpática e familiar pudesse atrair os holofotes da mídia, e com eles, a profusão de gente querendo aparecer.

Se bem que um repórter da Vanguarda estaria no trem colorido da alegria, mas só isso não seria suficiente para encher os vagões de faixas e Batmans e Super-Homens e Mulheres Maravilhas e coisa e tal.

Mas tinha lá um correndo com guarda-chuva aberto, embora fizesse um sol escaldante, alguns empurrando carrinho de bebê, outros com cachorros na coleira. Uma corrida familiar, bem familiar.

Por fim, já com meu suquinho de laranja descendo docinho, a turma que se inscreveu para caminhar, apenas caminhar e desfrutar da paisagem outonal exuberante das ruelas vazias, famílias inteiras, amigos, uma beleza.

Retornei com a pança cheia e feliz da vida. A energia positiva transcende daquela gente esfuziante e contamina para o bem quem está apenas assistindo.

Na Santa Teresinha, quase fui atropelado pelo trenzinho que agora se dirigia para o quartel. Tinha até uma dupla sertaneja em frente à farmácia, cercada de recos fardados (acho que meu sobrinho Felipe devia estar no meio deles), cantando Rolando Boldrin para animar a rapaziada que já dava sinais de cansaço.

Meu Deus... Mesmo na caminhada, já tinha gente com a língua de fora, lutando contra a natureza para terminar a prova. Pensei até em alertar um (deixa disso, meu amigo; chegou no limite, para aí). Mas bufando contra o sol e o asfalto, e os quilômetros que ainda faltavam para o fim, ele seguiu determinado.

Com meus trotezinhos e com a calma de um monge tibetano, eu vou contornando a praça Santa Teresinha. Quem sabe ano que vem pego meu lugar na janelinha do trem?

Tô animado!!!

//sergiogeia.blogspot.com.br

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