Conserta Félix Jr.

06 de Abril de 2013 sergio geia Crônicas 831

A violência está galgando o Everest. Tem muita gente levando tiro por aí. A bala certeira ou a bala perdida encontram o alvo desejado, ou não, e matam. E elas vêm de todos os lados. Se você não tem mais segurança dentro de casa (eu tive um carro surrupiado da minha garagem), imagine fora.

A agressividade da espécie não é só dirigida contra a própria espécie (aliás, é bom que se diga: o homem é o único animal que tortura seu semelhante por puro prazer, o que é uma lástima), mas também contra tudo que está à sua frente.

A bola da vez foi Jorge Amado. Uma estátua de resina bronzinada, erigida em homenagem ao centenário de seu nascimento, que fica lá em Itabuna, no sul da Bahia, da noite pro dia acordou com seis buracos abertos à bala, além de marcas de pedradas.

Atiraram numa estátua. E não foi um tiro, uma bala perdida. Foram seis. Chama a atenção, e basta uma visitinha no Google para comprovar, o número de monumentos e estátuas erigidos em favor de um grande herói da brasilidade, destruído por esses vândalos.

Em Ubatuba, por exemplo, José de Anchieta peleja. Tenta resistir, mas sempre tem gente levando o pauzinho que tem na mão, que faz alusão ao Poema à Virgem, escrito nas areias da Praia do Cruzeiro. Não querem saber da história. Não querem saber de nada. Querem destruir. O pauzinho, a mão, o braço.

Em Taubaté, ergueram uma estátua graciosa do Jeca Tatu na Rua Humaitá. Não é que deixaram o coitado do Jeca pelado, e até o seu cachimbo tiveram a pachorra de levar! Vai ver algum ser inteligente e sensível às artes, com certas veleidades historiográficas, pretende abrir um museu.

Mas não são só monumentos. Os vândalos destroem tudo. Postos de saúde, creches, escolas, terminais de ônibus, orelhões, banheiros públicos, lixeiras, imagens de santos, aparelhos de ginástica ao ar livre, placas de trânsito, ninhos de tartaruga e até cemitérios, apenas pelo prazer de destruir.

E não é só aqui. Outro dia destruíram diversos monumentos na Rua dos Poetas, em Santiago. 62 mil garrafas do vinho Brunello di Montalcino, do selo exclusivo Soldera, na vinícola Casse Basse, na Toscana, foram destruídas por vândalos, para as lágrimas dos apreciadores de vinhos requintados. Na Crimeia–Ucrânia, eles puseram abaixo o monumento da Cruz, de 4 metros, na Montanha da Cruz em Oreanda, instalado pelos paroquiais das igrejas de Yalta, em memória daqueles que morreram na 1ª Guerra Mundial, consagrado na véspera do 90º aniversário da sua conclusão.

A destruição corre solta. Não há prefeituras, dinheiro, nada nem ninguém que resolva a situação. Eles consertam, dias depois está tudo quebrado.

Minha filha, que me acompanhava enquanto eu escrevia esta crônica, depois de tudo lido e a conclusão chinfrim, me deu a ideia: chama o Conserta Felix Jr!

Depois ela me explicou o filme.

Boa, filha! Boa!!!

Eis aí um trabalhador que como muitos por aqui, ganham a vida glorificando a deseducação alheia.

Hã?

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