O povo nas ruas

05 de Julho de 2013 sergio geia Crônicas 1309

Parece que anos e anos de passividade absoluta, de uma plateia sem boca e sem atitude, assistindo ao “espetáculo” do desperdício, da corrupção, da malversação do dinheiro público, da ladroagem, da incompetência de pessoas e instituições, do desinteresse geral de políticos pelos problemas gerais do povo, eclodiram de uma só vez, numa insatisfação generalizada, debaixo do guarda-chuva de míseros vinte centavos, que para muitos usuários que utilizam do transporte público todo dia, representam uma conta altíssima no contracheque.

O interessante é que no início das manifestações, os políticos continuaram posando com aquela cara de homens sérios, competentes, com a camisa de manga comprida azul dobrada que todos usam, falando com ares de intelectualidade que a coisa não era bem assim, e que a chance de redução da tarifa era de zero.

He, he, he... Bastou o movimento se agigantar e ganhar as ruas para o discurso mudar, e todos começaram a envernizar a retórica com papos de demandas legítimas, e isso e aquilo, de manifestações sociais importantes etc., etc., enaltecendo o caráter apartidário e genuíno das reivindicações. Até a presidente entrou no grupelho... Eita, povinho interesseiro...

Não sabemos onde tudo isso vai dar. O que sabemos é que o cidadão acordou e encontrou sua voz. E descobriu a força que tem. Demandas de tudo quanto é tipo, agora poderão ser pauta de manifestações populares. E o povo, vendo seus políticos acuados, não vai pensar duas vezes.

Sinto o cheiro de mudanças no ar. Que não fique somente na redução das passagens. Que exista mais qualidade no transporte público pra começar, permitindo que as pessoas deixem seus carros em casa pra trabalhar.

Esses dias eu me perguntava: todos os anos, a indústria automobilística bate recordes em venda de carros. Todos os anos ela despeja nas ruas e estradas de nosso Brasil varonil centenas de milhares de carros. Onde vai parar tudo isso? É claro que as cidades vão entupir! Você tem alguma dúvida? Não está já entupindo? E o povo comprando carro, e o povo trocando de carro. Lançam carro ano 2014 em junho de 2013. Gente, isso é maluquice! Em janeiro de 2014, o carro ano 2014 está velho e já preparam o lançamento do carro modelo 2015. Perderam a razão! Completamente!

Do ponto de vista da infraestrutura viária, os governantes precisam pensar a cidade a partir de uma nova perspectiva. Mudar o foco do transporte privado para o público. Investir em transporte público de qualidade, baratear passagens, garantir acessibilidade a todos, pensar outras formas de transporte alternativo não poluente (investir em ciclovias, por exemplo). Isso é o mínimo, e direito legítimo de qualquer cidadão! E por que não crescer pelos trilhos? Os VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) são ágeis, modernos e eficientes.

Tarifa zero? Olha: é menos delirante que carro 2014 lançado em junho de 2013. Pode apostar!

Enfim, meus queridos, é com a boca cheia de orgulho que digo: o povo descobriu sua voz.

E quando cair a ficha de que trabalha cinco meses por ano para pagar impostos? Vixe... Não quero nem pensar... Ou quero?!

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