Antigo é ótimo!

03 de Agosto de 2013 sergio geia Crônicas 617

Sei não, mas acho que aos pouquinhos, sem mesmo perceber, eu tô entrando pro time. Não me lembro exatamente do que falávamos, mas me lembro muito bem do desfecho. A mulher do meu amigo disse que ele era antigo. Ele riu que só vendo, e retrucou que antigo era ótimo!

Pois é, amigo Ronald! Acho que estou entrando pro time. Lembro que na juventude eu adorava um lanchinho. Tinha hambúrguer, ovo, bacon, presunto, calabresa, catupiry, uma beleza. Comia tudo e lambia o saquinho (aquele molho que juntava catchup, mostarda e vinagrete), esvaziava a latinha de coca-cola e ia dormir. Fiz isso muitas vezes. Eu tinha até conta no hamburgueiro do bairro.

Hoje em dia, raramente como um desses. Prefiro as saladinhas, os grelhados... Mas, quando como, não preciso de dez minutos para diagnosticar que alguma coisa vai mal, que preciso de um antiácido urgente.

Tem outra coisa que a minha mulher pega no meu pé: dormir com a janela aberta. Quando tá muito calor é uma delícia, mas eu noto, mesmo sem levantar da cama pra fechá-la, que de madrugada o quarto esfria. Por causa disso, ultimamente, antes de pegar no sono, eu já fecho a bendita. “O tal ventinho nas costas”, falo pra ela. “É perigoso. Eu sempre acordo com a garganta arranhando”. “Que coisa de velho!”, ela retruca.

Outro dia eu mesmo me senti o artilheiro desse time de gigantes. Saindo pra almoçar, notei que o céu estava cinzento. Não titubeei e levei meu guarda-chuva. O tempo é um ingrato, né? Não é que saindo do restaurante, o sol brilhava como nunca que chegava até a arder o cocuruto?! E o que fazer com aquela peça de museu de quase 1 metro? Pra piorar a situação, eu não tinha um guarda-chuvinha desses de pôr no bolso, mequetrefe, descartável. Era uma bela de uma peça, enorme, cara, preta como um corvo, que num estádio de futebol protege os dois da frente, os dois de trás e os dois do meio, herança de meu falecido pai.

Dia desses um colega de trabalho me disse que na escola ele era craque em fazer trabalhos com o Excel. Fiquei pensando, pensando, e me lembrei de que no meu tempo nem computador tinha. Quando precisava fazer trabalho de escola, eu ficava horas na biblioteca copiando o danado do livro na folha de papel almaço.

Agora, você chegar pra tomar café, e já encontrar as caixinhas coloridinhas de remédio bem ao lado de sua xícara, pra não esquecer, visto que sua memória não é mais a mesma, aí não tem jeito. Você se lembra de sua agenda médica para o ano. Você lembra que ano passado deu cano na maioria de seus amigos. Sim, porque o médico já se torna amigo do peito, de tanto contato que você passa a ter com ele. Lembra-se do cardiologista, do oftalmologista, do dentista, do urologista, e, seguindo os conselhos da sua mulher, do endocrinologista e do nutricionista. Ah!, e a consulta com a terapeuta floral...

Enfim, meus amigos, um minuto de reflexão basta: entrei pro time. E com muito orgulho!!!

Mas bermuda com camisa social? Pelamordedeus, isso também não!!!

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