Talvez que não veja mais o que achava que via, talvez eu não sinta o que achava que sentia, talvez eu não vivo mais o que achava que vivia, talvez eu não escreva o que eu achava que escrevia. Talvez eu não seja o que eu achava que era.
O caminho que eu percorri até chegar aqui talvez não seja o mesmo que eu faça pra voltar. O que me faz ser o que sou? O que me faz ser?
O ar que respirei ontem hoje não está mais aqui. O coração que antes batia em dó, hoje bate em ré.
É possível o bater das asas de uma borboleta fazer um vendaval? É possível que o bater da calda de um golfinho na água faça uma onda?
Pelo amor por quem? Por amor? A flor aonde que nasce em uma deserto? Aonde que se planta o rancor no amor?
Não sei nada mais além do nada.