Falamos o que pensamos, mas não pensamos no que dizemos.
Seja em profundos debates de reflexão ou até mesmo em conversas informais que não nos levam a nada. Tudo aquilo que dizemos vagam sem saber na imensidão dos nossos pensamentos, por isso muitas vezes lembramo-nos de algo que dissemos há tempos e inacreditavelmente esquecemo-nos do que foi dito a poucos segundos.
As palavras flutuam em nossas mentes esperando serem ditas e a cada milésimo de segundo que falamos, escolhemos cada uma delas formando diálogos espetaculares. Já parou para pensar no modo como “escolhemos” as palavras? Impressionante como tão rápido podemos pensar em cada uma das letras e agrupá-las seqüencialmente surgindo palavras e juntando cada uma delas formar versos e frases e transformá-las em parágrafos e textos e até mesmo livros, porque não? Livros falados todos os dias por nos mesmos, cada dia um novo capítulo. Muitos deles prazerosos, entusiasmantes, cômicos, irrelevantes, outros quais gostaríamos, mas não podemos apagar das nossas páginas da vida.
Estamos sempre interagindo com as palavras, ouvimos, vemos, sentimos, está em todo lugar... Não se pode evitar.
E o que é escrever se não montar um jogo de palavras? Escrever é tão inexplicável quando dizer, escrever é dizer sem voz, é gritar euforicamente por dentro. Inexplicavelmente essas palavras postas uma após a outra saem por impulso, como se possuíssem vida própria, saem muitas vezes porque querem e não temos o menor controle sobre elas. Um exemplo? Eu mesmo. Estou escrevendo sem saber de onde surgem tantas palavras...
Não é questão de dizer isso ou aquilo, mas sim de sentir o que está dizendo, por isso escrevo, para poder sentir, tudo o que uma palavra diz.