Tão pouco fiz, tão pouco sou. Era o que dizia a mim mesmo enquanto dava mais um trago em meu cigarro de frente ao espelho olhando meus cabelos brancos e as rugas que insistem em aparecer. Bato as cinzas de lembranças que não sei mais se são minhas e volto a tragar decepções e soltar felicidades.
Na boca que hoje trago o meu cigarro, sinto arder bocas e beijos de outra vida, no peito que aspiro a fumaça sinto apertar saudades do que fui ontem.
Me encontro perdido em meus pensamentos, distante, ofuscado pela fumaça como uma lembrança de um bêbado.
Trago em meu peito dores de uma vida. Trago em mim o que eu fui ou deixei de ser. Me trago. Trago eu.