Eu vi você ali, também a vi se aproximando e você beijou a mão dela com a ternura que mostrava quando olhava para mim. Não que eu me importe, eu sei que jamais conseguiria sentir algo por você, mas eu até tinha pensado em tentar. Isso também está longe de ser ciúmes, eu só queria não precisar admitir que todo mundo estava certo de que você era um completo babaca, mas isso eu já sabia.
Eu preciso colocar aqui o quanto estou tentando não responder suas mensagens. E também preciso colocar em palavras a raiva que eu senti diante daquela cena. Tão confusa. Eu não sei por que estou escrevendo sobre você e nem sei por que eu mencionei você em um texto na semana passada. Eu não me importo, juro que não. Mas eu sou orgulhosa, sabe? Eu até tentei acreditar nas suas palavras só pra ver se você substituiria o vazio que eu carrego no peito, mas tudo o que você fez foi mostrar o quanto eu estava certa em jamais acreditar que esse tal de amor existe.
Aí eu parei de escrever esse texto, deixei-o pela metade porque decidi que demonstrar qualquer tipo de sentimento inexplicável por você seria errado e inútil, mas cá estou eu falando sobre algo que você me fez sentir e eu nem sei o que é, mas incomoda. Eu tenho certeza de que isso não é amor, paixão ou amizade. O que existe entre nós é algo indefinido e eu tento ignorar. Só que quando eu percebo, já perdi a guerra e estou pensando em você e tentando explicar pra eu mesma que isso que a gente tem é ruim e bom ao mesmo tempo.
É ruim porque se eu me permitir ir longe demais, eu vou entrar em uma área perigosa e estarei correndo o risco de me queimar. Mas apesar de todo o risco, estar contigo me faz esquecer os problemas e toda vez que você me beija, eu posso viajar e me encontrar em um lugar onde nada me abala ou me destrói.
Acho que tudo isso não passa de uma vontade de ir pelo caminho errado ao menos uma vez. É mais uma daquelas aventuras onde eu procuro por um pouco de adrenalina e cavo cada vez mais fundo até chegar a você. E tudo só pra correr o risco de romper essa corda imaginaria que me impede de cair em algum mar de sentimentos e acabar despedaçada.
Meu bom-senso grita histericamente para me alertar que em algum ponto deste caminho eu vou ser machucada. Você está caminhando em uma corda bamba, menina.
Você não presta e andar ao seu lado é o mesmo que andar descalça em cacos de vidro. Isso tudo soa contraditório. Porque eu quero e não quero; Eu peço pra você ficar, mas saio correndo. Eu te procuro quando não tenho ninguém mais pra ficar por mim. Aí eu não sei por que você fica e eu não sei se você deveria ficar. Sei lá, é que todo mundo acha que quem vai acabar mal no fim sou eu, mas ninguém imagina que eu estou jogando também. Não que eu tenha feito de tudo isso um jogo, mas é que eu gosto de estar um passo a frente.
Viu agora como eu sou contraditória? E isso é só um começo. Eu te dou um conselho: Foge, vai pra bem longe e finge que nunca me conheceu. Eu já descobri que o problema é comigo mesmo. Não fica esperando minhas mensagens, não me deixa ficar realmente no controle. Porque quando você deixa, eu fujo. Eu fujo de toda essa gentileza porque parece falsa. E eu fujo de todo mundo que não consegue me fazer sentir viva de alguma forma.