A noite se vai.



  O sol lá, sobre o monte começa seu despontar.
O limiar do dia justifica isso.



   A
pista vazia, silenciosa... Mesmo naquela região, a rodovia parece vazia.
Percebe-se que lá onde os olhos tentam a delinear qualquer objeto, começa a
destacar, ainda naquela escuridade,
um lânguido par de luz que paulatinamente se aproxima.



  Segundos depois já é maior; imensa. A uns
metros, antes de cruzar em alta velocidade, percebe-se ser um automóvel.
Todavia não é um automóvel qualquer. É Joel na condução de seu carro em correr
o mundo!



  Juntou Joel toda sua economia de mais de
dez anos de trabalho e adquiriu o carro. Equipou o veículo com tudo que tinha
direito e se fez necessário. Vendeu casa; divorciou-se da mulher, deixou os
filhos sob custódia da vara de infância do Forum da cidade,  desfez-se de telefone celular, despediu-se
dos pais, entregou seu cãozinho de grande estima ao canil municipal, abasteceu
o veículo, parou em uma encruzilhada, apanhou um mapa rodoviário e comentou:



  ?
A partir de hoje ninguém me segura. Viajarei por todo o mundo. Pararei quando
morrer!



  E assim fez.



  Ele passou; já vai longe. O dia surgirá
rapidamente. Joel somente parará para reabastecer o carro e a si próprio. Que
cara louco!