Quando ouvi tocarem os sinos da capela próxima à ruazinha do trabalho me dei por vencida naquela segunda-feira insossa. Levantei apressada e ajeitei o vestido amarrotado por horas de solidão naquela sala de amargas lembranças que haviam sido colocadas desde que resolvi partir para aquela semana de labuta, mais uma delas. Desci as escadas, me despedindo de quem encontrasse pela frente e ninguém mais. Coloquei a trilha sonora que em loop havia feito parte daquele dia, Vaccine, e me empolguei na batida lenta e acelerada dos passos que iam me guiando rumo ao destino. 

O cansaço daquele dia somava-se às mesmas pessoas, nos mesmos horários, seguindo o mesmo roteiro de conversas, sem as pausas de que eu precisava para relaxar e me esvaziar das conexões. Era quando eu me perguntava: quem havia de me tirar da rotina e eliminar meu tédio? 

Então eu me lembrava das palavras da minha mãe, que aliadas à teoria da geração Y, explicam tim-tim por tim-tim. Eu sempre fui a mesma garotinha, desde que me lembro ter tomado as primeiras decisões. Me canso do óbvio, do exato. Da mediocridade, da relatividade dos fatos, da hipocrisia, do que chamam de maturidade, da mesmice. E, agora, da vida adulta. 

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