Quem a via passar, por entre as sobreposições do vestido "joaninha", não imaginava o tamanho dos seus pés.

A doçura escondia a vulnerabilidade recalcada. Ela tentava dar nós parafraseando os cadarços que poderíamos resumir a "obsoletos" diante da magnitude daquele vestido.

Um outro dia não desmentia a afirmativa num primeiro olhar: lá estava ela envolta por tons alegres de menina-tão-mulher, cabelos soltos, esvoaçantes e pés compridos e finíssimos; e as mãos com estranhas curvaturas.

Ela, como qualquer outra, queria fazer as pazes com espelho, guarda-roupa, namorado, com a mãe e as amigas, e com ela mesma. Mas a eterna companhia dos pés e das mãos no dia a dia da pequena incomodava-a.

A insegurança, diante da cobrança sócio-cultural, intrigava. Era quando ela se queixava da hereditariedade, e também das concepções desse mundo superficial, mas que incomoda aos fugidios dos padrões exatos. Mas sorte a dela ter vestidos de poá, cadarços para amarrar e quem agradar.