Diário de um Suicida

16 de Dezembro de 2013 And P. Crônicas 933

Em torno de minha vida tentei me matar diversas vezes, desde que ainda era uma
criança até os dias de hoje. Talvez por covardia esteja vivo ou apenas eu não queira
realmente morrer. Um dia desses me perguntaram, qual é a sensação de querer por um
fim em minha vida. Na hora não soube responder, mas agora eu sei. 



Não quero morrer o tempo todo. As vezes consigo apreciar a vida, às vezes quero
viver mais do que qualquer um, mas são em momentos tão raros. Se eu realmente
fosse um suicida sei que já estaria morto há tempos. Sinto-me vazio. Quando
vejo pessoas chorarem não sinto pena, quando vejo vidas esvanecerem não sinto
pesar, quando pessoas me decepcionam eu não me sinto mal, não sinto dor, não sinto
nada. Como se eu fosse algum tipo de brinquedo.  



Prefiroficar sozinho para perder-me em devaneios, para não acabar trazendo ninguém para
esse meu mundo, cheio de medo e ao mesmo tempo cheio de nada.



Meu amor começou a se esvaziar ainda criança, quando implorava por amor. Amor dos
meus pais ou ate mesmo um pouco de atenção, mas tudo foi em vão. Apenas
continuei sendo o bastardo que atrapalhava a vida deles. Tempos depois consegui
afeição de uma namorada, mas logo a mesma me deixou. Eu era uma pessoa carente,
até mesmo o ar que meu pulmão exalava implorava por atenção.



Sei que em algum lugar dentro de mim em meio a todo esse vazio tenho esperança de
ter algum motivo pra continuar aqui, nem que seja por um momento. Estou sempre
sozinho, estou sempre comigo, a maioria das pessoas e suas futilidades me
enojam. Mas com a chegada de mais um ano estou prometendo me fazer diferente,
tentar ser alguém a ser lembrado, viver ao menos um dia, deixar de ser apenas
uma criança de pensamentos suicidas, para ser um adulto cheio de vida.



Espero conseguir. Espero que consiga me superar, não me enforcar mais todas as noites
até desmaiar, não cortar minha pele até a dor fazer lagrimas brotarem em meus
olhos, não me encher de atos masoquistas para preencher ao menos um pouco do
vazio que está aqui. O vazio que meus pais deixaram; o vazio que eu me permiti ter,
o vazio que me cerca em todos os dias. Ele vai ir, vai deixar lugar para o
cheio, vai deixar o lugar para alguma rotina. 



Sei que tudo isso não passa de desejos, por isso deixo aqui minhas ultimas
angustias. Espero que alguém me ame por essas palavras vazias como eu. Espero
que minha mãe chore no meu tumulo, como nunca chorou por mim. Espero que... Não,
eu já não espero mais nada.


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