Vivendo e amadurecendo

16 de Dezembro de 2013 Elias Lima Crônicas 76

Eu tenho caminhado por debaixo de chuva de duras pedras
Tenho andado atravessando tempestades
Mas agora eu caio,
Estou fraco.
Mas eu estou em silêncio.

Nesta vida carreguei por demais diversos pesos nos ombros e angústias demasiadamente existenciais. Ainda tenho marcas pelo corpo e pela alma. Minha consciência cansada de tanta tristeza em meu olhar se desespera. Meu coração se aflige e a alma, paralisada, se congela. E meu espírito, sem luz, se foi.

Se alguém enxergasse minha alma por completo, a veria em pedaços. Sangrando e distantes demais para serem juntados.

Vivi procurando e buscando respostas para tudo, numa tentativa desesperadora de me salvar através do conhecimento e assim, sobreviver. Mas o conhecimento não traz a cura.
No fim, me encontrei sozinho, no meu quarto escuro e frio, como um menino assustado com o mundo, querendo se proteger dos adultos. Em meu âmago, encontrei estátuas tristes e feridas de sangue. Em meu ego, encontrei dor, só dor, melancolia, desespero em lacunas. Nessas que a vida nos dá de castigo por sermos “expulsos do paraíso” do ventre de nossas mães.

Ainda me restava a esperança.
Depositei em pessoas. Sedutora e cruel ilusão.
Descobri indelicadeza, maldade por prazer, crueldade por crueldade.
Então descobri que não há muito o que fazer.
Já que a vida nos foi dada, não dá para correr, ou dá?

E sei, que lá no fim, a Mãe Natureza irá me chamar de volta para casa. De volta para a força da vida, do Grande Universo, pois eu vim de lá.
Então ser sonhador demais é suicidar-se aos poucos, lentamente. Ser realista demais é calar os nossos sonhos.
Então vivo por romantismo ou heroísmo, quem sabe?
Ou tento saber até onde eu consigo suportar?

Então vou correr até onde eu puder, até onde eu posso chegar e então, terei feito o que foi preciso sem me acovardar.

Então os sonhos continuam sendo a minha força, minha crença no Grande Universo ou Deus como dizem no Ocidente irá me guiar mesmo nas sombras da morte, eu sei que chegarei a superfície do profundo oceano de emoções que incessantemente tentam me destruir e irei ver o Sol brilhar.

Então não deixarei que essa estrutura de mundo me esmague sem me dar chance de me levantar. Mesmo ferido, sangrando em meu espírito eu irei lutar contra este mundo hostil que nos leva a banalidade do mal sem nenhum ressentimento. Em busca de luz para o meu mundo eu irei lutar para que dentro de mim haja alguma luz, brilho e força, esta dada pela Natureza e pelo Universo.

Então não estarei totalmente só.
Mas também não viverei sorrindo.

A vida é isso: ser performático para ser aceito, é morte, é alegria, é tristeza, é angústia e violência, é felicidade, é êxito, sofrimento e caos.

Somos filhos do Caos e com o caos convivemos.

Há quem consegue a toda dor e angústia sobreviver e há aqueles que em sua fragilidade não encontraram outro caminho a não ser dar-se ao seu próprio fim, e isso nada tem a ver com fraqueza ou egoísmo. Pois como já dizia Os Titãs em ‘Epitáfio’ “cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. Então sem moralismos sejam cristãos ou não, sem misticismo ou qualquer crença, precisamos para com urgência nos abraçar, nos amar e procurar respeitar os limites do outro, os defeitos e não tentar “consertá-los” ou descartá-los como se fossem mercadorias de prateleiras de supermercado.
Precisamos reaprender a viver, se é que um dia já aprendemos isso.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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