Morrer é uma merda

25 de Dezembro de 2013 Mostradanus-Gyn Crônicas 878



MORRER É UMA MERDA


Pensar, refletir, sobre vida e morte é como sair da luz eentrar numa outra dimensão. Surge uma necessidade premente de um ensaio pré-morte ou pós-morte, e assim, a pilha acaba e na escuridão completa e no silêncio intrigante, você se desliga, divaga. Fica ausente por alguns momentos e inicia a busca de uma solução ou de uma análise do mundo, da existência, do comportamento humano que pende ora para o sadismo, ora para o masoquismo.



Diante do absolutismo da natureza somos como patos. É comose Deus (que dizem existir) brincasse com os seus amigos anjos, de tiro ao alvo. Quem vai ser o próximo? – Diz o poderoso que criou essa gaiola de loucos nesse universo sem fim, ou diria?



Você pensa na crise do ego, do super ego, trabalha o inconsciente e a fita do filme de sua própria vida começa a rodar.



E se a sua etiqueta de validade anda meio amarelada, bate a crise do conformismo, que não dói tanto, mas incomoda, principalmente quando  os parentes e amigos da mesma data base de nascimento, começam a ser abatidos. Como diz um primo meu “começama ir pro saco”.



O encantamento da sala de espetáculos, a crise do peso na consciência por pequenos ou grandes delitos, deriva para o social, o coletivo.O passado vem à tona e se mistura com o futuro sombrio e se os impasses afloram, a luz no fim do túnel desaparece. Você pensa em si próprio, pensa no sistema cruel, você pensa na crise da igreja que permite a vulgarização, banalização e comercialização cada vez mais crescente da fé.
Você quer ter fé em valores morais, em virtudes e acaba tendo fé no inferno, no céu, naquilo que não pode ver, não pode tocar. Você prefere assim, é mais cômodo, é mais misterioso e mais prático, matar de uma só paulada todas as suas dúvidas, no grande bacanal das ilusões em forma de vaticanal, Universal, Mundial e outras coletorias arrecadadoras que existem por ai.


Você olha, mas não vê, você escuta vozes mas não entende o que estão dizendo e assim se explica esse mergulho no nada, não em busca de um agradecimento, de um pedido, mas em busca da coerência, da lógica. Em busca de uma coexistência pacifica, em busca do reencontro com os princípios éticos. Você ouve o mundo inteiro gritar e as vozes dizem, - poderia ter sido melhor.

Ou poderia e deveria ter sido o melhor (que é muito diferente). Que merda, eu não tenho que ser o melhor, o maior, eu tenho que ser e fazer aquilo que gosto que desejo e não gosto de receber ordens de comandantes sem justas causas. Jamais aceitarei que alguém diga pra mim que eu não devo gostar dessa ou daquela pessoa. No facebook o atual muro das lamentações eletrônicas da
humanidade tem sido assim. Você mostra a sua cara e seus amigos de outrora, passam a lhe ver com outros olhos. O fanatismo religioso exige respeito. O fanatismno é uma doença intragável, pois ela porta certezas que a cegueira inventou.



Você pensa nos amigos que perdeu e nem sabe por que. Você se vê na porta de entrada da terceira idade e fica ranzinza, implicante, mentiroso e quer bater em todo mundo e quer por que quer o mundo a seus pés. E você então não vê que os mais jovens chegam com inteligência, com astúcia e com o apetite voraz. Eles querem o seu lugar, eles sabem que você mais cedo ou mais tarde vai
embora. Você não sabe se está pensando e falando de você mesmo, porque os críticos implacáveis fazem você se perder, fazem você acreditar que tudo que acontece é por sua culpa.


Se pararmos para pensar, existem atividades profissionais em que essas coisas ficam mais evidentes, mais expostas e machucam com maior freqüência, a de jogador de futebol (carreira curta), e ele vive essa angústia do medo de perder sua posição e se torna o animal que normalmente é, jogando e amarga no banco de reservas, o seu “auto-flagelo”, o inicio do fim. É a maldita data de vencimento que em alguns casos tem um tempo mais curto. Pedro Bial é o grande
exemplo da fragilidade humana, ele sabe que faz o papel de palhaço e sabe que é o intrumento para fazer do telespectador um completo idiota no BBB, mas é muito bem remunerado pra isso e precisa sobreviver e garantir seu futuro. E aí?



Mas nem isso, a maioria desses jornalistas tem e se não conseguiram se realizar durante todos os anos de sua vida e agora no finalzinho, nem uma coluna no blog? Faltou o que? Faltou-lhe talento para o bem, faltou-lhe discernimento, faltou-lhe empatia ou uma história para contar com “Alegria”, uma qualidade que um bom jornalista tem que ter, além do faro e de conhecimentos gerais. Talvez tenha pensado lá atrás que subir na vida é atropelando as pessoas, os colegas, humilhando-os e fazendo tudo para torná-los ridículos e sabe-se que essa estratégia não dá certo. A inveja, é outro tipo de “morte” horrível.



Faltou-lhe ainda o conhecimento da arte de fazer política, sem fazer inimigos. Não é qualquer um, ou qualquer desclassificado que pode ter a arrogância de se achar um “Stanislaw Ponte Preta” que sabia se esconder atrás de seu verdadeiro nome, mas com amor, com a sabedoria do Rei Salomão, e com profissionalismo e sempre fazendo amigos e admiradores. Mas ao contrário,
portou-se como um camponês, um moleque cortador de cana ou lavador de carro, que trata todos por “Sinhô” e quando vê uma brecha, sai “chutando o balde” que nem aqueles pivetes de rua, nascidos ou mal nascidos, naqueles endereços escusos de mulheres mercenárias de beira de rio onde o Judas perdeu as botas e que quando o filho nasce, não sabe dizer ao escrivão do cartório, o nome do pai.



Sai atropelando todo mundo e grita como o bandido Jefferson na política, mente como o Presidente Bush e decepciona que nem Obama e faz terrorismo que nem os pastores das igrejas evangélicas que pregam o ódio, o individualismo, o egoísmo em nome de um Deus.



E o pesadelo prossegue e é como estar num sono profundo e poder dirigir as cenas, definir o que quer que aconteça. E no limiar da noite, nas profundezas das trevas, você se levanta sem sono, refletindo e anotando frases e pensamentos que são as suas verdades, os seus sonhos, as suas
frustrações, soando em busca do inédito. E o inédito foi exatamente encontrar e reviver em lembranças esse mundo cão diante dos olhos estarrecidos.



São reflexões que transbordam, que traduzem estados de angústia ou até mesmo de plena felicidade. No dia seguinte, você pode ler e jogar fora e ficar rindo de sua pobre visão, do que é ser
triste e estar triste ou, feliz e estar feliz, Fazer amigos e destruí-los,entendem?. A vida portanto, não é tão simples quando se fala de seres humanos.Somos todos canibais em toda extensão da palavra. Existem amigos de verdade,mas são muito poucos e assim jogando conversa fora, resolvi escrever esse texto, por causa do olhar de um amigo meu aqui em Goiânia, que definitivamente
não acredita em amizades e aposta em trocas. A vida pra ele é uma grande loja de conveniências. Isto é cruel, mas pode ser verdadeiro.



É que eu não me conformo com aquela premissa do "penso, logo existo". Mas...meu entendimento é muito escasso e não me conformo com uma etiqueta que colocaram no meu pescoço e que mostra uma data de validade. Mostra praticamente o dia marcado para morrer, sem falar nos imprevistos, nos acidentes cuja possibilidade real nos apavora.



Porque afinal, a pergunta que não quer calar, é exatamente essa: Será que vale a pena viver ou conviver, com pessoas espinhosas e que estão sempre querendo esvaziar a sala de espetáculos da vida, para permanecer e morrerem sozinhos ali, somente porque ninguém queria assistir aquele filme?



Deprimente, inadmissível, essa brincadeira de mau gosto. Morrer é uma merda. Não sei por que, hoje chegou o dia em que tive coragem para postar essa bobagem em meu blog, que tem como ancora, como base, esse meu espaço, esse meu blog, essa minha confissão improvisada aqui, nessa comunidade, e já não sei mais porque escrevo isto aqui. O que significa afinal, viver intensamente, realizar sonhos, acumular bens, colecionar sonhos vividos e mais na frente, sem mais nem menos perceber que a contagem era regressiva e saber-se próximo do zero. E ter certeza que algumas pessoas, deveriam e poderiam estar do seu lado, poderiam continuar sendo amigos? Será que vale a pena gozar do respeito dos “amigos” no mundo dos negócios e estar sempre com a necessidade premente da maldita reciclagem?



Talvez essa minha reação e coragem de escrever em público e não num diário secreto e particular, seja para mostrar que esse tipo de coisa a gente tem que encarar com coragem e não ficar revoltado, batendo a cabeça na parede desesperado, como muita gente, fazendo inimigos gratuitamente, agredindo a todos, quando na verdade o correto é a busca da compreensão, de palavras de incentivo, de carinho com o próximo, enfim viver, ser feliz. E de preferência, com sinceridade e legitimidade, usando da liberdade mas com real identidade. Relevar a ignorância do outro sem ridicularizá-lo, sem tentar humilhá-lo, sem tentar diminuí-lo.



Portanto, morrer é mesmo uma merda, sob todos os aspectos e com todos os sentidos figurados possíveis. E por falar em morrer, você já comprou seu pequeno lote, no “jardim das saudades”, vulgarmente chamado cemitério? E já pagou antecipadamente pelas flores sem “espinhos” ?  Durante muito tempo, você acompanhou seus amigos e parentes e lá depositou muitas flores e quando o seu dia chegar, que pode ser hoje, ou a partir de hoje, a qualquer momento, seus amigos, e/ou seus inimigos, acompanharão você para o irreversível “the last Day”. 

Muitos chorarão de verdade e outros dissimularão o alívio e a alegria por não precisarem mais tolerar a sua presença. Ou você é daqueles defuntos fedorentos e nojentos que já morreu há muito tempo e só falta deitar? (rsss).



De qualquer forma, um brinde especial aos meus amigos de verdade e longa vida, claro de preferência comigo por perto.


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