Sonhos revirados

26 de Dezembro de 2013 David Bucks Crônicas 759

     Eu tenho sonhos revirados.

     Sonhos que não sei ao certo onde irão me levar.

     Gostaria de amarrá-los todos, em cordas firmes, como aqueles balões de gás vendidos em parques de diversão. Eu os amarraria em meu pulso esperando o primeiro sopro matinal para me levarem ao longe, para terras desconhecidas e além da imaginação.

     Eu tenho esses sonhos que não sei decifrar. Já levei-os a terapia, já levei-os para a igreja e para a  encruzilhada. Nem ciência, nem espiritualidade. Meus sonhos continuam revirados e me impossibilitando de saber onde irei chegar. Porque não tenho objetivos concretos, materiais.

     Por isso, quando acordado, me cobro e me julgo.

     Como não querer ser rico? Ter um carro zero? Um smartphone ou qualquer outra coisa mais tecnológica? Casa na praia ou no campo? Roupas desta estação, sapatos bem lustrados? Porque não consigo sonhar com isso? Até me esforço, mas me culpo.

     Quero apenas meus sonhos revirados. Uma taça de vinho tinto quase transbordando, folhas de papel em branco, canetas esferográficas funcionando. Quero caminhar pela praia de tênis rasgado, andar pelo campo colhendo frutas maduras. Sonho com um cobertor que me aqueça o corpo e que me permita ficar com os pés descobertos.

     Esses meus sonhos revirados que se preocupam com os amigos que se foram, com aqueles que deixaram de ser amigos e com os que ainda desconheço, e para estes guardo um espaço no peito.

     Esses meus sonhos revirados que me fazer sentir o cheiro da comida e me sentir apaixonado. O cheiro do perfume comprado secretamente e que agora invadem meus pulmões e ficar ainda mais apaixonado.

     Sonho com dias melhores, com pessoas melhores em um mundo melhor.

     Sonhos revirados, avessos e com mil defeitos.

     Apenas sonhos em uma manhã quente.

     Delirante.

     Revirada.

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