AGENDA - Um dossiê modorrento

27 de Dezembro de 2013 Mostradanus-Gyn Crônicas 567



A AGENDA - Um
dossiê modorrento



E você que está pensando em mandar confeccionar
agendas para distribuir de brinde aos seus clientes nesse final de ano,
cuidado, muito cuidado e preste atenção nesse “causo” verdadeiro.



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A famosa e tão cobiçada agenda, que todo mundo quer e ninguém a rigor
usa, é sempre um livro bonitinho, bem encadernado, com capa colorida, enfeites
dourados, plastificada, personalizada com a gravação de uma bela e bem
elaborada logomarca.

Geralmente ela chega até você como presente de final de ano de algum
fornecedor gentil, ávido por cobrir algum cliente de gentilezas, fazendo-o
lembrar-se que ele existe, durante todos os dias do ano.

A rigor, francamente, é um livrinho danadinho, que vive atazanando a
vida da gente. Quando você o usa, rigorosamente se torna uma pessoa metódica e
escravo de um simples bloco de papel, que fica ali ostensivamente sobre a sua
mesa, ou pior e mais enfadonho quando se obriga ou “obrigam” você a carregá-lo
pra baixo e pra cima.




Um perigo enorme nas mãos de uma pequena autoridade (a sua secretária,
por exemplo) que passa a comandar a sua vida, através daquele horrível e
ensebado livrinho geralmente de capa preta. Corre o risco ainda de tornar-se
uma pessoa extremamente antipática, quando se distrai e diz para um cliente
Amigo, que vai consultá-la. Essa frase, “estou agendado” pode significar o fim
de uma relação pessoal ou comercial, ou, no mínimo estremecê-la.

Torna-se assim, um presente de Grego ou um objeto de desejo
dispensável. Portanto, muito pior, quando você mesmo (a) toma a iniciativa de
entrar numa papelaria e comprar tal "espinho".

Uma vez, lembro-me bem, e jamais me esquecerei, telefonei a um amigo
meu, dando-lhe parabéns pelo seu aniversário e mencionei que constava na minha
agenda. Ele imediatamente, ironizou-me, dizendo-me prontamente, que nunca
precisou dela, para se lembrar do meu.




Tem gente, que usa, esse tal livrinho a vida toda e sempre pergunta com
cara de pau, ou de ignorante mesmo, se o mês de julho tem 30 ou 31 dias. A
gente aprende essas coisas no curso primário e nunca mais esquece. Sem falar no
fato de que minhas filhas sempre escondiam suas agendas escolares de mim e eu
sempre fingi que não percebia esse fato. Certa vez, uma delas se aproximou e
perguntou curiosa: Pai, porque você não examina a minha agenda escolar? – A
professora está cobrando seus “vistos”.
Mandei um recado para a professora que me pedisse qualquer coisa, menos
isto.(rs)




A Agenda portanto, exceto em alguns casos específicos, é o livrinho do
óbvio ululante, onde você a rigor, escreve coisas que está cansado de saber,
que vai ter que fazer. Se agenda valesse alguma coisa, médico não faria você
esperar 2 horas em consultórios de luxo, com secretárias etc. – Aliás o meu
primeiro cardiologista aqui em Goiânia, provocou em mim, certa vez uma reação
inusitada, quando me fez esperar por diversas vezes em consultas diversas, por
mais de 2 horas. Eu nunca mais voltei em seu consultório e andei por um bom
tempo com um adesivo que mandei fazer e afixei no vidro traseiro do meu carro
que dizia :

“Não seja tão "paciente", dê ao seu médico, um relógio e uma
agenda de presente”.

Em determinada fase da minha vida profissional, impuseram-me de forma
absoluta, o uso do tal livrinho como medida disciplinadora, e eu, passivamente,
como todo funcionário exemplar, embora já naquela altura bem graduado, fiz um
esforço muito grande para não me rebelar, (ou chutar o balde, como diria um ex-amigo
meu e cumprindo rigorosamente a ordem eu a portei. (Foi por volta de 1981).




Mas fiquei, confesso, durante muito tempo, em clima de perplexidade, de
revolta, olhando para aquela coisa ignóbil, sobre a minha mesa e ficava
apavorado, só de pensar, que eu teria que carregar aquele livro esdrúxulo para
as reuniões ou mesmo para despachos informais, mantendo a calma e a aparente
fisionomia de submisso conformado e aceitando uma espécie de castigo
administrativo.

Incrível, eu não podia escrever metade do que eu ouvia.




Pior ainda, não deveria escrever muitas coisas que eu gostaria de dizer
e não dizia. E sequer, poderia colocar ali o meu ponto de vista, caso fosse
contrário àquela instrução recebida por exemplo.

Mais ou menos aquela historia da caixa preta ou mais exatamente o espelho
da imprensa Brasileira, que vive ás custas dos comerciais do Governo – Caixa,
Bco. Brasil, Ministério da Saúde, da Educação e até o tribunal eleitoral que
convoca mesários pela TV. (o que eu acho um absurdo) e assim não pode falar mal
do governo. Igualzinho a certos jornalistas que são convocados para comandarem
as salas de imprensa de Prefeituras e em se tratando de cidade do interior, a
coisa se complica mais ainda.

Mas enfim, depois de algum tempo de uso deste cansativo documentário,
houve dúvidas se na conversa de tal dia, teria sido combinado realmente aquilo
que eu havia executado. Eu verifiquei, disse que sim, e mostrei que estava
escrito na agenda. Naquele tempo na função de gerente de vendas, fechei um
grande negócio de 400 mil metros conforme estava escrito no tal livrinho.

Aí, veio o comentário:

Amigo, “papel aceita tudo”. Eu não falei isso, devo ter tomado algum
comprimido para dormir e não sabia o que estava dizendo.
Ponto final. Revogue-se. O negócio foi desfeito e a minha cara caiu no
chão.




Apesar de tudo, alguns meses depois, após mais alguns incidentes
parecidos, eu continuaria sempre portando aquele livrinho ensebado e ridículo
debaixo do braço, firme e obediente.

Um belo dia, após um bate papo exacerbado, do tipo “há controvérsias” ,
saí, como sempre aborrecido da reunião com aquela maldita agenda, e fui tomar
umas e outras. (Eu não usava comprimidos para dormir) e mesmo assim, me esqueci
de comparecer no dia seguinte, com a dita cuja debaixo do braço.




Fui cumprimentado, com um sorriso irônico, mas profundamente aliviado
(eu percebi) e não fui advertido.

Percebi com minha razoável inteligência, que as circunstancias haviam
decretado o fim daquele maldito dossiê, vulgarmente chamado de agenda.

Afinal a minha pequena Facit de manivela já havia sido aposentada e já
estava nascendo a tal máquina maravilhosa que modificaria todo sistema de
comunicação no mundo inteiro que foi o computador:

Um feliz cruzamento de uma TV, com uma máquina de escrever e uma
calculadora, enfim uma das surubas eletrônicas mais felizes dos últimos tempos.
E eu obviamente tinha que me inspirar naquela revolução e me libertar daquelas
algemas. Mas como ?

Mais alguns dias, outro incidente:

Falei, não falei, Etc. e Veio a clássica pergunta:

-Só por perguntar – Está anotado na agenda ?

-Não Sr. Não anotei.




-Ótimo Amigo, O Sr. deve aprender a falar mais e escrever menos.




-Fiz melhor, Sr.Diretor, com todo respeito, joguei-a no lixo.


(Gargalhadas)



E assim, nunca mais se falou na tal agenda.



E eu, que a partir dai, jamais voltaria a utilizá-las, aprendi pelo
menos a fazer crônicas.(rs)




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