Quem não se comunica, se trumbica

27 de Dezembro de 2013 Mostradanus-Gyn Crônicas 793




Os novos caminhos da publicidade e da comunicação, no
planeta terra, claro


Estamos vivendo a era da velocidade. Incrível, temos tudo à
mão e não temos tempo pra nada.



Temos que conviver com espaço do jogo das palavras no seio
da liberdade, apesar das frases de efeito e do delírio contagiante.


Estamos reverenciando com um custo altíssimo, a plena
consciência da comunicação ou da telecomunicação em tempo real, uma consciência
tangível, útil e sem regência inter-espacial ou mística, embora muitos procurem
retóricas para colocar embalagens cintilantes em suposições, sonhos e
simulações.


Mesmo assim e apesar disso estamos conseguindo substituir o
revolver pendurado na cintura do século passado, e a milenar arca de Noé, no
sentido elitista, (força bruta e limitações respectivamente) pelo celular, um
invento moderno que dispara palavras como se fosse uma metralhadora e ao
alcance de todos.


Ao menor sinal, a qualquer tom, saltamos para atendê-lo
imediatamente interrompendo tudo que possa ser considerado de mais sagrado. Ele
é o portador das nossas emoções e de todos os nossos interesses, enfim de tudo
aquilo que podemos oferecer ao outro, como amor, ódio, cantadas, ironias,
propostas indecorosas e de posse dele, não temos desculpas para deixar pra
depois. Tem que ser agora, já.--------------Pensou muito, dançou.


Conheço gente que com a TV ligada, ouve um barulho de
telefone tocando e leva algum tempo para perceber que foi o som do aparelho
ligado na novela ou até mesmo no apto do vizinho e o mais engraçado por
exemplo, num saguão de aeroporto, um celular toca, ato continuo, todos ali
presente levam a mão na cintura.


O celular hoje, é o reflexo imediato da falta de educação do
ser humano ou no mínimo de quanto ele é capaz de não se importar consigo mesmo,
ou com o próximo. Ele interrompe sem a menor cerimônia uma reunião importante
de negócios ou mesmo de família. Ele interrompe desde um beijo materno, até o
afago da mulher amada. Ele retira bruscamente o filho do colo e sai em
disparada buscando cessar o grito estridente e fragmentador de emoções. Pode
ser na igreja em uma cerimônia de casamento, pode ser numa reunião de negócios
ou pode até mesmo num bate papo informal. Ele é no duplo sentido, um “torpedo”
de emoções.


A grande questão que pretendemos abordar é que esse aparelho
é hoje o mais importante produto de uso individual. É o portador na noticia em
tempo real, mais que real. De celular em punho, as palavras do outro lado soam
como uma fantástica máquina que altera a pressão sangüínea, aumentando a
adrenalina, sugerindo decisões imediatas e atitudes precipitadas e nos torna
infratores irresponsáveis e compulsivos das regras de transito, com o ônus da
multa e pontos na carteira, ao mesmo tempo em que comunicamos a morte em
segundos e ouvimos o pranto via satélite.


E a pressão vai aumentar porque os projetos audaciosos das
empresas de comunicação querem jogar a TV e a Internet, de uma só vez, dentro
desse mini aparelho comunicador e ele daqui a pouco estará gritando e vibrando
na sua cintura, para que você leia uma msg. publicitária de uma nova cueca ou
um novo sabonete ou então um apelo irresponsável de uma ONG, sustentada
escandalosamente pelo Estado. E tudo isso dentro de uma cardápio que será
sugerido a você como opção. Não se espantem, se daqui a alguns anos ele estiver
com um sensor que vai medir a sua pressão e disparar um alarme, sugerindo mais
calma ou a corrida para o seu cardioloista.


Tudo que se discute sobre esse assunto, está invadindo os
bastidores dos grandes anunciantes e das principais agências de marketing no
Brasil e é mais um round na luta em busca da atenção do pobre e inocente
consumidor.


O investidor receberá noticias da bolsa de valores e o mais
simples usuário descendo um morro de favela poderá receber uma nova letra de
rap ou samba de sua preferência.



Algumas pessoas em centros mais avançados, se dizem
dispostas a se submeterem a essa espécie de avalanche de inovações na
publicidade de massa e conhecer novas formas de comunicação e esse pode ser um
pensamento inovador, que atingirá o consumidor de forma organizada. Em alguns
países essa idéia já vem sendo colocada em prática e com sucesso. A vantagem é
que cada usuário pode escolher o que quer receber no seu aparelho pessoal,
assim como acontece no ambiente da Web.


Somos portanto, 100 milhões de correntistas portando igual
numero de celulares espalhados pelos grandes centros e alguns outros dados
relevantes nos levam a crer que falta muito pouco para a publicidade explodir
via celular, visto que os modelos atuais estão se esgotando e se confrontando
com a mobilidade do pequenino aparelho de bolso. Temos portanto a poluição
visual dos outdoors, contra a interatividade que o celular oferece e a
segmentação das mensagens que passariam a ter alvos específicos, mesmo
imaginando que os panfletos de sinais de transito são insubstituíveis, porque
são também até certo ponto muito bem segmentados e dirigidos em sua grande
maioria àqueles que comem pasteis e biscoitos de polvilho em sinais de
transito.


Com o tempo percebemos então que esse pequeno aparelho, além
de matar o telefone fixo com ou sem fio, substituiu a clássica e ensebada
agenda de telefones, o relógio, o despertador, a lanterninha de bolso, o Bina,
a secretária eletrônica enorme que você tinha que comprar além do aparelho de
viva voz. Quer mais? Você pode ainda filmar e fotografar e de flagrante em
flagrante você vai rolando a sua vida e aguardando no bojo de ansiedades o que
mais de novo virá e surpreenderá. Além disso, você pode usar a calculadora,
ouvir musica e se divertir com alguns jogos. E se você for surdo, você poderá
ser alertado pelo vibrador e ler mensagens de texto.


E em sendo assim, os “nossos irmãos menos evoluídos”, talvez
encontrem o caminho da alegria, com menos “ansiedade e depressão”, mesmo não
tendo tempo para erguer os olhos aos céus.


Mas, não se apresse em comprar um celular novo, porque se
você for compulsivo vai ter que comprar um a cada três meses, pois a esperteza
dos fabricantes é notória. As novidades ficam na fila e vão sendo liberadas de
acordo com as conveniências.


E a grande novidade, pode ser aquela esperada por todos: Uma
ligação direta com o poder cósmico, mas não aceite de forma alguma gravações ou
sinal de ocupado. Afinal você apenas está sonhando em falar por telefone com
alguns entes queridos que já se foram, sem usar intermediários que ficam
psicografando em linguagem duvidosa. É claro que eu não estou falando aqui de
falar com os presos na nova penitenciária regional de Ponte Nova, estou falando
de uma espetacular novidade: A TELEFONIA CÓSMICA. E cuidado com a conta, pois
pode sair muito mais caro do que falar com as putas da Rússia.



Quem não se lembra desse terrivel golpe das empresas de
telefonia quando FHC vendeu as nossas terriveis Estatais. Ah... que saudades
pelo menos dos preços.




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