Quando eu nasci eles disseram “não”.
Sem saber, nasci sendo o que eles odeiam.
Quando eu me percebi como um “não-pode-ser”,
Eu me encobri de vergonha e medo.

Palavras, gestos, piadas e olhares me reprovavam o tempo inteiro.
Todos escancarando um ódio mortal a mim, querendo me extinguir.
Na escola eu não encontrava respostas, então eu vi:
O aluno é um eterno “sem luz” no mundo.
Onde a voz do aprendiz se cala, o medo ganha força e a opressão ganha o seu progresso.

Minhas forças estavam se esgotando.
Família, amigos e estranhos.
Todos desejando o mesmo: o desaparecimento de minha existência.

Nessa genealogia da exclusão eu fui ganhando mais ódio por insistir em existir.
Pai, mãe, irmãos. Todos me olhando com reprovação.
Jugos insanos vindo de amigos me provocavam uma imensa solidão.
Eu estava só. Só em minha escuridão.
Sentia que o ar que eu respirava era esmola,
Que não era digno, que eu era sujo e impuro,
Portanto dividir a mesma calçada era-lhes injusto.
Já bastava o ar que eu respirava.
Mas do meu próprio fim brotou um novo princípio.

Depois de tanto caminhar pelas minhas sombras sociais,
Depois de tanto apanhar de meu pai,
Eu resolvi lutar e esperar algum milagre nesta vida ou qualquer sinal de esperança.
Acreditei que poderia encontrar a luz algum dia em algum lugar.
E através da dor eu me conheci.
Através do desespero eu me fortaleci.
A angústia me matava diariamente mas eu a desafiava. Eu ouvia uma voz dentro de mim, que insistia em seguir.

E após descobrir a verdade por detrás das mentiras “verdadeiramente” ditas todos os dias, eu me vi com um dever: ser diferente, fazer diferente sempre. Seguir meus ideais, seja por romantismo, seja por humanismo seria este o meu caminho. Viver por heroísmo.
Decidi lutar e vencer e jamais me esconder de novo.
E o meu chão começou a se fortalecer. As pedras aparecem e eu as quebro, mesmo sem força eu insisto e venço.
Meu ego por muito tempo permaneceu no escuro para que a voz da maldade ganhasse força. Mas com o tempo eu vi: a ignorância é força e manutenção dessa estrutura desigual de mundo. Então continuarei a seguir com os meus ideais e sonhos, mesmo que eu venha a me desiludir com muita coisa, eu não irei desistir, pois quero escrever o livro da minha própria história. E isso eu não deixarei nenhum grupo de pesquisa ou estatísticas fazerem isto por mim.