Liturgia Numérica

10 de Janeiro de 2014 Rafael Otávio Modolo Crônicas 818

Seja você amante da matemática ou não, aposto (e ganho) que sua vida sempre foi regida por números. Seis ou sete da manhã o despertador toca, trinta minutos até à escola ou ao trabalho, quatro lances de escada até à sala cinco no primeiro andar do quinto prédio da rua doze. Oito dígitos, três toques, chefe na linha. “Bom dia”, contagem regressiva para o fim desse dia que pode não ser tão bom assim.

É uma liturgia numérica inevitável, um labirinto invisível: um lugar propício para fuga. E para fugir? Números... de novo. Desligue o telefone, saia da sala cinco, desça os quatro lances de escada, livre-se do quinto prédio da rua doze. Pronto! Pronto? Bem, se tiver mais sorte, irá dirigir seu próprio carro, com dezesseis litros de gasolina ainda no tanque, por dez quilômetros. Se tiver menos sorte, subirá no ônibus cinco mil, oitocentos e trinta e três da linha setecentos e vinte e um, e passará por três paradas até chegar ao segundo prédio da rua um, momentos antes de adentrar o apartamento quarenta e dois.

Você fugiu. Fugiu? Lamento, estimado amigo, o despertador continuará tocando, as ruas permanecerão para serem atravessadas, os degraus para serem galgados, as horas para serem contadas. Mas eu sei como contar números é difícil para quem não quer somar medos, multiplicar angústias, subtrair esperanças e dividir a alma.

Quer um conselho? Bom, então, aqui vai: jogue! Isso, jogue! Se a vida lhe colocar num labirinto, leve um novelo com você (será muito útil); se ela der as cartas, chame “truco” e “pisque zap” para seu parceiro; se ela lhe reduzir a números, lembre-se que eles são infinitos e, em sua mente, você também pode ser!

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