Pedofilia eleitoral

02 de Agosto de 2011 Ullisses Salles Crônicas 1563

No Brasil garotas entre 16 e 18 anos podem votar e decidir quem será o presidente do país durante o próximo governo. Mas essa mesma pessoa que tem tamanha responsabilidade, não pode transar. Segundo às leis brasileiras, garotas entre 14 e 18 anos estão na chamada idade do consentimento. Nessa idade, se elas tiverem relações sexuais com homens “adultos”, os mesmos poderão ser presos se a família da adolescente apresentar queixa à polícia. Seria interessante se o político em quem a filha votou também fosse preso caso a família apresentasse queixa. Talvez muitos deles não nos roubassem tão descarada e impunemente como o fazem a cada dia.

Voltando ao tema do sexo antes da chamada maioridade. Não sei como é a lei no Brasil, mas sei que em Portugal por exemplo existe diferença da idade do consentimento para casos homossexuais, foi justamente por isso que falei de meninas e homens adultos. Obviamente os papéis podem ser invertidos, embora não seja muito comum no nosso mundo machista mulheres “abusarem” de garotos com menos de 18 anos, apesar de termos alguns casos mais ou menos notórios.

A tal idade do consentimento varia de país para país; na Suíça a idade do consentimento é de 16, (recentemente um jogador foi condenado a pagar 3000 CHF por ter transado por duas vezes com uma garota de 15 anos), na França é de 15, na Holanda é de 14 e na Espanha é de 13 anos. Fiquei surpreso com a idade relativamente baixa da Espanha, sendo esse um país predominantemente católico. Todos nós sabemos o atraso da igreja católica perante temas relacionados ao sexo e à liberdade sexual.

Quanto ao caso do jogador de futebol que transou com a garota de 15 anos por duas vezes e foi obrigado a pagar 3000 Francos. O que a lei pretende com isso? O ato foi consumado e não tem volta. A quantia paga é irrisória e muito provavelmente bem menor do que os altos custos do julgamento em si. Se as leis falam que um homem adulto não pode pagar para obter sexo de uma “menor de idade”, esse pagamento de 3000 Francos foi para que mesmo? O homem, suas leis e sua justiça pelo avesso; nunca a entenderei.

Como havia mencionado acima, embora vivemos em uma sociedade machista e sexista, há casos de mulheres que “abusam” de rapazes inocentes. Recentemente nos EUA, uma professora foi julgada por ter transado com um rapaz de 16 anos. Isso obviamente causou furor na puritana sociedade estadunidense (onde em alguns estados é proibido fazer sexo anal). Não sei agora qual será a pena dela, mas estou certo que sua vida será um inferno e ela nunca mais terá paz.

O que me surpreende nesses casos é que nunca perguntam a opinião do adolescente. Eu já transei com garotas entre 16 e 18 anos, e por assumir isso em público, fui precipitadamente chamado de pedófilo por pessoas que nem sabem o que é pedofilia e muito menos entendem das leis vigentes no Brasil ou em qualquer outro país, mas se embasam apenas no falso moralismo pseudocristão daqueles que se sentem no direito de julgar como se estivessem acima do bem e do mal.

Logo nos EUA onde invadir países soberanos e matar centenas de milhares de pessoas é pacatamente aceito pela sociedade, um simples ato sexual entre um jovem de 16 e uma mulher adulta causa furor na sociedade. A hipocrisia da raça humana talvez seja única dentre os seres vivos, mas eu ainda não aprendi a conviver com ela

Quanto a mim, e minhas relações com garotas com menos de 18 anos; mesmo tendo a consciência limpa, me senti incomodado pelo título que recebi. Pedófilo? Tenho uma filha e acho a pedofilia algo grave; uma covardia e um desvio comportamental a ser tratado ou controlado para o bem das crianças. Mas será que eu sou hipócrita como os que me julgam e poderia agora estar cometendo o mesmo crime que considero repugnante? Foi então que me informei com duas amigas advogadas e elas me disseram mais ou menos o seguinte. Escolhi propositalmente mulheres advogadas, pois acho que as mulheres ainda são a principal vítima dos crimes sexuais.

Após conversar com elas, não aprendi muita coisa. A lei é bem complicada e ambígua, como é comum em jurisprudência, principalmente tratando-se de Brasil. Se os pais da garota fizerem uma queixa, o adulto pode sim ser levado a julgamento e até ser preso se ficar comprovada a inocência da garota, ou o pagamento pelo ato sexual em si o que resultaria em prostituição infantil. Daí eu lembro dos 3000 Francos que o jogador suíço teve que pagar.

Resumindo; um adulto pode ter relações sexuais com uma garota entre 14 e 18 anos, se puder comprovar que ela não é virgem e nem tampouco é inocente ao ponto de não saber decidir se deve ou não fazer sexo. A pergunta que segue nasce então naturalmente; Existem meninas que aos 15,16 anos ainda são inocentes ao ponto de não poderem decidir se devem, (querem) ou não transar?

Se existirem então me permitam de novo a analogia com o voto. Se são tão inocentes para fazer sexo, como podem então decidir o futuro do país? Eu chamaria o voto adolescente de orgia, pois é feito em larga escala, onde um único político abusa da inocência de milhões de jovens adolescentes.

Infelizmente não consegui me informar sobre o que acontece se o rapaz tiver menos de 18 anos. Nos EUA por exemplo, ele também é passível de punição mesmo que seja menor de 18 mas isso varia de estado para estado. De todo modo isso não vem ao caso, quero mesmo é focar no ponto em que garotas de 16 anos não podem fazer sexo, mas podem decidir o futuro do país ao receberem presentes de políticos que compram seus votos e de suas famílias. Prostituição infantil é proibida, mas infanto-eleitoral pode...

Essa é na verdade a grande jogada política do voto aos 16 anos. O que muitos brasileiros vêm como uma vitória da democracia ou uma amostra de modernidade da máquina governamental brasileira, não passa de uma jogada suja e muito mais pervertida do que sexo com menores de idade. Temos milhões de jovens entre 16 e 18 anos no país e esses votos podem ser decisivos para determinados políticos.

Aproveitando-se justamente da ingenuidade política, da pouca instrução e da situação financeira precária (justamente os fatores que são levados em conta no caso do sexo com menores), o político oferece um programa assistencialista para angariar os votos de pobres menores que não podem transar mas podem decidir o futuro do país.

Outro aspecto interessante a ser levado em conta, é que vivemos em uma sociedade extremamente sexista. O Brasil é um país que promove o sexo de maneira mais ou menos velada, e exporta a imagem da mulher fácil para o mundo inteiro. Há quem se orgulhe do carnaval e do sambódromo, onde as mulheres acreditam terem conquistado liberdade para andarem nuas, mas na verdade são apenas prisioneiras do sistema sexista que reina no Brasil.

O importante é ter bunda, ninguém se preocupa em promover a educação e a cultura. Os investimentos no carnaval superam dezenas de milhões de Reais, pois são o chamariz do hediondo turismo do sexo. As celebridades no país hoje são mulheres samambaias, melancias, moranguinhos, bananinhas... e essa mesma sociedade da pornochanchada julga crime relações sexuais com jovens entre 14 e 18 anos.

Mas e então? Qual é sua opinião sobre o assunto? Votou no governo assistencialista que usa o voto dos adolescentes, mas considera que eles não podem transar? E como quer educar os jovens se bunda e vulgaridade são o que reinam no país? Como convencer os jovens a não iniciarem suas vidas sexuais cedo demais se o Funk é uma instituição que promove o sexo na sua maneira mais vulgar e criticar o Funk hoje é sinônimo de ser chato?

Eu convido o leitor a refletir sobre o assunto. De que lado você está? Do lado daqueles que recriminam o sexo com jovens com menos de 18 anos mas aplaudem as bundas e peitos no sambódromo e no programa de auditório? Ou do lado daqueles que consideram Funk apenas um estilo musical? Ou está entre os que idolatram melancias e filés?

Eu estou do lado daqueles que não consideram os jovens completos idiotas ao ponto de não poderem decidir se devem (querem) ou não transar. Mas sou contra pacotes assistencialistas que incentivam as pessoas a terem filhos e receberem bolsas-família, incentivando justo aquilo que criticam; o sexo entre jovens. Sou contra a bundificação da sociedade e da inversão de valores. A vulgarização e banalização do sexo é que são os fatores que ao meu ver devem ser combatidos, e não o sexo em si.

Quer fazer um bem ao país e aos seus filhos e filhas? Instrua-o a transar de maneira consciente e segura, e tome muito cuidado para que ele não seja mais uma vítima da prostituição eleitoral.

(PS: Fui informado por um leitor que no ano de 2009 o Supremo Tribunal Federal do Brasil aboliu o crime de corrupção de menores. Portanto, a partir de 14 anos, qualquer pessoa é livre para fazer sexo com quem quiser. E no Brasil não existe distinção entre a idade de consentimento dos homossexuais e dos heterossexuais)

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