O que você faria se seu filho fosse homosexual?

03 de Agosto de 2011 Ullisses Salles Crônicas 1938

Antes de entrar no tema anunciado acima, gostaria de fazer um pequeno comentário sobre debates em fóruns eletrônicos.

Gosto do Orkut, do Facebook e da internet em geral porque ela nos permite debater os mais variados temas com todo tipo de pessoa a qualquer hora e em qualquer lugar do mundo. Isso nos possibilita ver como é que as pessoas naturalmente reagem diante de determinados questionamentos e como lidam com a opinião outrem o que pode nos ajudar a corrigir nossos próprios vícios de comportamento, além de alargar nossos horizontes.

Por mais descontado que possa parecer, o número de internautas que não aceitam pontos de vista diferentes do seus é considerável e tem-se tornado cada vez mais comum pessoas dedicarem seu tempo ao terrorismo eletrônico em uma espécie de inquisição cibernética. Portanto se você leitor faz parte dessa cruzada medieval em pleno terceiro milênio e acha que ignorar o tema e atacar o autor ou as pessoas que concordam com uma opinião divergente da sua é o único modo de debater, ignore as linhas acima e não leia as linhas abaixo, pois esse texto certamente não foi escrito para você.

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O tema abordado nas linhas abaixo é muito interessante e como sempre pode tocar cada um de nós direta ou indiretamente. Em uma das minhas leituras diárias eu me deparei com a seguinte pergunta. "O que você faria se seu filho fosse homossexual?"

Minha primeira reação foi puramente instintiva. Pensei comigo mesmo. Que pergunta mais preconceituosa, esse tipo de questionamento não tem mais razão de ser, pois a escolha da sexualidade é algo que cabe somente ao indivíduo e mais ninguém. Ledo engano. Pois vi em muitas respostas que tal questionamento deve sim ainda ser feito, pois há muita gente ainda incapaz de lidar com essa liberdade de escolha. E se tais debates não servem para mudar suas opiniões, ao menos servem para reforçar as nossas, e nos mostrar exatamente como não devemos ser.

Mas meu erro vai além. Não apenas devemos debater esse tema pelos motivos supracitados, como devemos debater todo e qualquer tema o tempo inteiro, caso contrário corremos o grave risco de nos tornar obsoletos e criar dogmas incuráveis dentro de nós.

Quando vejo pessoas com reações do tipo; "Me chame de machista se quiser", ou "Eu não faço questão de ser moderninho", logo penso. Milhares de anos de evolução para chegarmos a isso? Controlamos um pequeno robô em Marte mas somos incapazes de aceitar a escolha sexual de um parente?

A raça humana ainda precisa caminhar muito para sair dessa letargia mental em que se encontra. Por outro lado, seria ingenuidade minha esperar algo diferente de uma espécie que ainda se mata por prazer, ou pelo simples fato de não aceitar a opinião do próximo, seja ela sobre religião, política ou sobre um simples time de futebol. É assustador e triste, mas inerente do ser humano esse comportamento tão primitivo na era da informação sem fronteiras.

Então, passado esse momento de reflexão, saindo do meu mundo de fantasias onde o ser humano sabe conviver em paz eu retorno à pergunta inicial e afirmo: O questionamento é válido sim. Afinal de contas nossos filhos podem fazer várias escolhas em suas vidas, não apenas relacionado ao sexo, mas também à drogas, e à moral. Cabe aos pais auxiliarem os filhos nesse processo de amadurecimento.

Entretanto acho que a sociedade tende a considerar apenas alguns aspectos da vida, ignorando outros tão importantes quanto o homossexualismo. Sem dúvida que ter um dia que conversar com um filho sobre o fato dele ser homossexual é algo sério e determinante na vida de pais e filhos, mas acho que há muitos outros fatores até mesmo mais importantes na criação que acabam sendo menosprezados.

Por mais comum que seja, eu nunca vi alguém se perguntando; E se meu filho virar um advogado que defende assassinos por dinheiro ignorando o verdadeiro valor da vida humana? Ou um juiz que vende sentenças? Ou um estudante universitário que bate na namorada, que espanca pessoas indefesas, que desrespeita as leis por pura libertinagem?

Se tivéssemos que fazer algum tipo de comparação eu diria. Prefiro ter um filho homo e honesto que um hetero bandido. Felizmente não temos que fazer esse tipo de escolha, podemos apenas tentar educar nossos filhos da melhor maneira possível, para que ele saiba dar o devido valor à sua vida e a vida do próximo. O caráter de um filho independe completamente da sua opção sexual.

Além do mais existe um outro erro muito comum nas respostas das pessoas intolerantes, elas se referem ao homossexualismo ou homossexualidade como se fosse uma escolha comparável as que fazemos quando escolhemos nosso corte de cabelo, cor das unhas ou destino de férias. Nos últimos meses o tema tem sido novamente abordado no Brasil, mas a impressão que tenho é que pouca gente reflete de fato sobre o tema, a maioria quer apenas escolher para qual lado vai atirar suas pedras.

Não é a novela que nos torna homossexuais, nem tampouco a festa, nem a passeata pró ou contra o os homossexuais. E mesmo que assim o fosse, cada um tem o direito de escolher o que quer para si. Já que é essa resposta que se dá quando fala-se sobre religião, futebol e política. Se cada cidadão tem o direito de escolher para qual time torcer, em qual partido votar em qual Deus acreditar, por que haveria de ser diferente com a sexualidade?

Não é um acaso que a resistência ao homossexualismo ou homossexualidade é maior nas camadas menos instruídas da sociedade. Isso nos dá a esperança que com o passar do tempo e o aumento da proporção de pessoas instruídas diminua o número de intolerantes.

PS: Tenho uma filha de 9 anos e quero apenas que ela seja uma pessoa honesta e feliz. Meu amor e dedicação por ela não dependem da sua sexualidade. Nem tampouco muda minha obrigação de pai, que não é moldá-la mas sim educá-la para que possivelmente não cometa os mesmos erros que cometi.

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