A partir daí começava outra etapa de sua vida! 

Os meses passavam, completou um aninho e era sempre muito magrinha e como todas as crianças nessa idade percebíamos que ela não dava sinais de poder andar e falar. 

Ainda os médicos não tinham um diagnóstico. Sabia-se que não tinha paralisia, engatinhava pela casa inteira, instintivamente se especializou em engatinhar. Às vezes ficava muito nervosa, atirava pelos ares tudo que encontrava ao seu alcance e assim viveu até os sete anos de idade, sem andar. Falava poucas palavras. Era pele e osso. 

Daquela menina linda que era aos cinco meses restavam somente seus cabelos e olhos pretos, no mais se tornou uma menina feia pelo fato de ser muito magra. Tão magra que seus ossos eram visto a flor da pele. Todos os esforços no sentido de ajuda-la a andar eram em vão.  Suas pernas não tinha equilíbrio, eram puro osso envolvido em pele muito fina.

Um certo dia, já com sete anos preparou uma grande surpresa, ouvia-se um barulho na cozinha e não se sabia o por que. 

Era ela que sentadinha no chão engatinhou até a uma cadeira, levantou-se pela primeira vez e saiu empurrando a cadeira. Metade do corpo totalmente apoiado no assento, os bracinhos se agarravam a cadeira como se fosse taboa de salvação, e as perninhas finas ensaiavam os primeiros passos para as suas conquistas.

Sabíamos que seria uma menininha muito doente, que necessitaria de cuidados especiais para o resto da vida.

Sabemos de muito pouco ou quase nada dos mistérios que envolvem a vida!

Quase sempre criamos expectativas, traçamos caminhos que não se realizam, não compreendemos com se processa a vida.

Imaginávamos que aquela pequenina, não teria muitas oportunidades, devido a sua fragilidade.

Engano! Depois que começou a andar, meia que desengonçada e atrapalhada, também pudera, sete anos sentada em uma cadeira, não poderia ser diferente! Daí foi pra escola e foi crescendo até que se tornou uma adolescente.

Autor: Maria de Lourdes (Emedelu)