Não lembrava exatamente quando, nem onde. O contato foi brusco, errante... mas intenso. No que se separaram, sentiu que parte dela se foi. Ele a levou consigo.

De alguma forma, sentiu que não deixara de ser dela. Achava que foi por isso que não lhe fez falta. Além do mais, a partir dali ela dividia aquilo com outro alguém. Na verdade, apenas desejava que o mantivesse a salvo. Que fosse alimentado, para que continuasse crescendo.

De surpresa, o “ladrão” voltou e devolveu o que havia carregado. Mas estava diferente: ainda mais intenso, mais íntimo, como se aquilo houvesse ganhado, além da personalidade dela, a personalidade dele também. Estava mais... deles. Mais do que nunca, acreditou ser possível crescer muito mais do que se fosse somente ela tomando conta. Graças ao outro, ultrapassou dimensões, esticou em todas as direções e contagiou quem quisesse sentir. Deixou de ser subtração, virou encanto.

E colidiram uma segunda vez. Colaram pés, braços, barriga e lábios, para nunca mais se separarem. O que o trouxe de volta foi o que havia levado dela. E se deixaram levar assim, unidos e sentindo os corações baterem acelerados, um contra o outro. Descobriu então que o que ela tinha era apenas parte, mas acabara de ficar completo.