Ainda lembro do primeiro disco que comprei. Meus olhos brilhavam. Parecia que eu conseguia, enfim, um prêmio.  E era. O disco de vinil era uma coisa que ainda era usada. Aliás, a única coisa. CDs ainda não tinham virado febre e custavam caro, a onda ainda era os discos e as fitas K7, e eu tinha caixas repletas delas.

Voltando a falar da minha grande aquisição, comprei o tal disco e fui para casa. Era um vinil usado de um amigo, mas mesmo assim era uma grande aquisição. O ano era 1992, e eu estava eu em casa ouvindo um disco que fora lançado em 1990. Eu tinha uma fita cassete daquele disco que já estava gasta de tanto que eu a ouvia. Mas, nada substituía o disco de vinil, com capa, encarte com as letras dentro, e seu chiado peculiar no início das faixas. Aquilo era viciante e de uma fascinação impar, quem ouvia vinil sabe muito bem do que estou falando.

O disco em questão era “O Papa é pop”, de Humberto Gessinger e seus Engenheiros do Hawaii. Ouvia insistentemente aquela obra que considerava e considero ainda um estupendo disco de rock. Aquelas guitarras me acompanhariam durante anos a fio e as letras escritas pelo Gessinger moldaram um jovem que começava a se apaixonar pela música.

Depois desse vinil, muitos outros vieram. Coleções, vinis com tiragem limitada, vinis antigos, outros que já não eram mais vendidos, entre outras maluquices musicais. Logo o CD começou a fazer sucesso e os seus boxes pequenos e fáceis de guardar tinham lugar reservado em minhas prateleiras.

A música e eu temos uma longa historia que está distante de acabar. Ela não me deixa e eu nunca a deixo na mão. Sempre abarroto meu armário com CDS, vinis, DVD’S e obras de diversos artistas. Com a chegada da era digital, encho meu HD com musicas e mais musicas em suas pastas devidamente identificadas e separadas em ordem alfabética. Não vivo sem meu tocador de mp3, pendrives para ouvir no carro, e sem meus fones de ouvido. Só escrevo se tiver música, só crio se tiver música e não tomo banho sem estar ouvindo um som, seja Gloria Gaynor ou Aerosmith. Namorar então, tem que ter uma trilha sonora escolhida a dedo. Sempre funciona para deixar o clima mais que perfeito. Use e abuse da música.

Concordo com alguma comunidade do velho Orkut que dizia que vida devia ter trilha musical. Se tivesse, a minha estaria repleta de velhos blues, baladas e canções clássicas do bom e velho rock and roll.

Vou acabar aqui essa coluna, pois tenho que parar para ouvir um novo disco que comprei, antes que bata uma crise de abstinência. Se quiser me acompanhar, senta aí ao lado que o Frejat vai começar a destruir tudo com as suas letras e melodias fantásticas.