Encontraram-se no elevador do prédio novamente. Quase todos os dias faziam aquela viagem em silêncio. Ela descia no oitavo andar, ele no décimo segundo. Ela atendia por Clarisse, ele por Roberto. Clarisse era assistente de um advogado famoso na cidade e cursava Direito. Roberto era professor, jornalista e escrevia para um jornal de circulação diária.

Por vezes se esbarravam na hora do almoço na mercearia em frente ao prédio em que moravam. Ela comprava itens para a sua salada, tão colorida que parecia dessas que aparecem em capa de revista. Ele curtia mesmo era um bom sanduba de mortadela com mostarda. Entre uma compra e outra, Roberto a olhava com interesse. Clarisse fingia que não via, mas gostava de ser notada.

Um dia Roberto decidiu chamá-la para jantar. Ela não aceitou, achou muito cedo para aceitar um convite para jantar. Ele esperou uma semana e refez o convite, só que para almoçar. Ela recusou, não queria parecer tão dada assim. Afinal, ela tinha que se fazer de difícil.

Outros tantos convites foram feitos. Outras tantas desculpas foram dadas. Porém, ela estava decidida. O próximo convite ela aceitaria.

Um dia eles se encontram no elevador novamente. Roberto com uma sacola de supermercado cheia de coisas. Macarrão, camarão, salmão defumado, vinho, azeitonas e outras coisas que ela não conseguia identificar. Falou que faria um jantar. Ficaram papeando e ela ficou esperando mais um convite. Chegou ao oitavo andar e ela desceu frustrada, pois nenhum convite foi feito.

Horas mais tarde quando voltava da academia, Clarisse encontra Roberto se despedindo de uma mulher no saguão. Ela chama o elevador e fica olhando a cena da despedida dos dois. Ele chama a mulher que o acompanhava de irmã. Ela sorri e promete que não vai mais deixar as oportunidades passarem do andar. E que jogará todas as bobagens que regem a sociedade no fosso de uma vez por todas.