Deslumbrado, ganancioso, metido, fútil, playboy. Essas eram algumas coisas que falavam dele. O seu trabalho não era lá isso tudo, mas ele podia comprar comidas, perfumes e roupas de marcas que nem conseguia pronunciar.

Festas não faltavam, companhias também. Mas sabe aquele lance de se sentir sozinho mesmo cercado de gente? Era tipo isso, só que com grana para gastar. E ele gastava. Muito mesmo. Presentes caros para os amigos, para a irmã, para os primos e alguns mimos para os pais. O que sobrava ia para uma caderneta de poupança no banco de todo o brasileiro.

Ele achava que dinheiro comprava tudo: respeito, carinho, amor. Só que não é assim que funciona. Não existe saque de carinho e nem pagamento de amor no débito em conta. Não do verdadeiro amor. O verdadeiro amor não está exposto em prateleiras do posto de conveniência badalado da cidade.

De namoricos, casinhos e ficantes ele ia passando os dias. Até arrumara um namoro, mas não dava a importância devida. Afinal, não era um amor de “marca”, era uma imitação barata daquele sentimento que sentira antes e desejava sentir de novo.

Nas lojas famosas do shopping enchia o guarda-roupa, e de bar em bar da moda enchia a cara. Mas, nada daquilo preenchia a sua vida de felicidade. E ele continua por aí, com a carteira repleta de dinheiro e com a conta bancária zerada para o amor.