Saudade é uma parada estranha, confusa e cheia de artimanhas. Ela não é igual ao amor ou ao ódio. Ela é única. Acho que a saudade é a irmã mais velha de todos os outros sentimentos e/ou a união deles. Um mix maluco que causa várias reações adversas em quem sente. Um verdadeiro caldeirão em ebulição carregado de pimenta baiana.

Sentimos saudade de pessoas, de coisas, de momentos, de estações do ano, de programas de TV e até saudades de sentir saudade. Temos saudades de quem amamos e até de quem dizemos odiar. É um sentimento nostálgico, dolorido e até um pouco alegre. Percebe essa inundação de sentimentos em apenas um? É disso que estou falando.

A saudade é uma danada que chega sem avisar e quando você menos percebe ela já está sentada ao seu lado no sofá, dividindo um travesseiro na cama e até no meio da sua gaveta de meias. Você abre a porta e ela está lá esperando por você. Você sente um aroma familiar e olha lá ela de novo. Ela está em todas as partes, como aquele perfume que invade o ambiente e não deixa você respirar de tão sufocante.

Quando ela chega para ficar, não há suco de frutas Gummi, espinafre, kriptonita ou qualquer outro artifício desse ou de outro mundo que dê jeito. A saudade castiga tanto que o melhor antídoto para ela é a morte dela. Matar a saudade é a melhor sensação que se possa ter, mesmo que a morte seja uma coisa que não é bem vista. Assassinatos também não são. É mórbida e extasiante ao mesmo tempo. Percebe novamente a confusão?

Pois é, não há como fugir dessa danada. O que resta é tentar compensar com alguma coisa. As mulheres preferem os chocolates, pipocas, sorvetes e filmes estrelados pelo Hugh Grant ou George Clooney. Os homens contam com a cerveja e o futebol na televisão.E eu, como não gosto de chocolate, só me resta beber torcendo para o meu time, que não anda lá essas coisas. Ah, que saudades do São Paulo de Raí, Zetti e Telê Santana. E, principalmente, que saudades de você.