Num momento de tantas crises sociais, onde a sensibilidade e a coerência, não mais são permitidas desabrocharem por causa do relativismo moral que envenena a nossa era, não é admirável que a sociedade e a cultura torne-se num circo. Um circo sinistro, na verdade. A esfera dessa cultura é defeituosa, sem sobriedade, embriagada com devassidão que ganha força coma permissividade. Os homens selam com as próprias paixões o destino desse mundo. Quando as flores das virtudes começam a serem arrancadas desse campo, para que a tenda e o picadeiro sejam erguidos nele, torna-se preocupante que o mundo goste tanto dos shows desse circo de impiedades.
Mas para que as sombras não assustem, nem o frio da insensibilidade faça acordar alguns, para disfarçar o odor asco do engano, os relativistas precisam erguer um jardim dentro desse circo, é a prévia do show. Monumental é a cultura sombria desse mundo, tenta unir o útil ao relativo, então criam as flores e outras flores, com aromas de amor tolerante, com as rosas cativantes do humanismo, pois nada cega mais o homem do que o elogio aos seus próprios erros e a cariciar as suas próprias paixões. O homem quer uma emancipação libertaria, não é que a moralidade escravize, porque se fosse isso, então há uma discrepância de sentimentos e uma imparcialidade de visões, porque o relativismo sim conduz aos horizontes mais nefastos da escravidão. Retirem todas as normas, e o homem não precisa mais de um diabo, retirem todas as leis, e o homem nem precisa mais de um inferno, porque ele mesmo será capaz de fazer desse mundo um inferno. E há quem não acredite nessa maldição eterna, mas veja que por um momentos, em Hiroshima, na segunda guerra mundial, muitos sentiram por um breve momento a alma penada do inferno a visitar e lamber a carne dos mortais. Erguem nesse circo de incredulidades lapidadas com a linguagem acadêmica, as flores do amor egoísta, hiper-humanista, ou seja a vastidão do desejo de libertar-se para mergulhar nos mais baixos instintos do ego. Pintam a lama da imoralidade, essa é a bela arte do homem moderno, cantam ao toque mortífero de devastar a vida intra-uterina e se apegam as lágrimas de um cachorro de rua, esse é o sentimento do homem moderno. Essas são as flores que desabrocham num mundo pós-humano, parece que sem os limites, o homem perde-se no infinito de seus próprios instintos. Como aquela cena celebre ao lado da minha esposa, quando encontramos uma serpente a rastejar pelo caminho, ao susto do breve encontro, o que fazer? mata a cobra, ela representa um perigo para o homem, e se essa justificativa de matar a serpente porque ela constitui-se um grande perigo para os mortais, então pergunto: o que vamos fazer com o relativismo moral que está matando as famílias, nossos filhos, nossas tradições, nossa moral judaica cristã e está selando a catástrofe social? Talvez alguém diga que esteja exagerando, mas não confio nos homens, eles disseram: "uma guerra mundial foi suficiente, nunca mais teremos outra..." Essa luz vermelha na consciência de um homem pacato não se acendeu muitas vezes na historia humana? que a derrocada do império romano seja um bom exemplo.

Clavio J. Jacinto