Eu admiro a arte nas suas mais distintas correntes, a poesia, o conto, a reflexão, a musica e a pintura, sou evangélico, e também admiro a arte da prédica. Deleito-me lendo Charles Spurgeon, o pregado batista britânico, ou ouvindo Antonio Abuchain ou Glenio Fonseca Paranaguá. Ambos pastores batistas. Faz parte do meu cotidiano refletir, pensar encima daquilo que admiro, e sei que isso tem contribuído para a formação de uma inspiração pessoal em muitas áreas da minha vida, e isso vem refletindo na poesia que escrevo, no artigo que elaboro, e nas conversas com meus amigos mais íntimos. Eu consigo ultrapassar a barreira das coisas comuns, acho que os poetas, os escritores, os pintores, os compositores também sentem isso. A beleza de um por do sol nutre a minha alma, a rosa que desabrocha, a paisagem arrebatadora, as estrelas no céu noturno, as montanhas, e os lugares mais cativantes me atraem, me fazem viver, a celebração dos meus sentimentos se aguçam, a sensibilidade se desenvolvem, e a inspiração vem a tona, como um fluir de dentro para a mente. A estética da inspiração é um mistério, ela faz o homem ser humano, faz o sonho brotar para fora. A frutificação da imaginação pode ser vista na doce canção que ouvimos e apreciamos, e é nessa esfera de tantas coisas cativantes que nosso ser entra também para o mundo dos incomuns. É que a estética da inspiração nos eleva para maturidade, para a compreensão do significado mais profundo das coisas. Aprender a explorar nossa criatividade é uma dádiva, um consolo, um progresso pessoal, e cada pessoa deveria penetrar nessa dimensão sem medo. Fazer uma aliança com as horas silenciosas da madrugada encher a mente até transbordar, com coisas boas e belas, e escrever uma frase, um poema, um conto, uma musica. Quando o grandioso mestre e Senhor andou pelas estradas poeirentas de Israel, ao ensinar seus discípulos, Ele conseguia extrair do cotidiano, atrás do véu da rotina, as lições que seriam o alicerce, dos que consideravam um ensino celestial. O sermão da montanha, as parábolas do Reino, a essência do que ele ensinava era extraído da experiência da vida dos seus contemporâneos, uma seara madura para a ceifa, um filho que resolve sair de casa, um céu avermelhado, era aos olhos de Cristo, as matizes para as lições mais profundas que os homens jamais ouviram. Esse princípio parece transparecer na vida de todos os que rompem a casca da rotina sem sentido, e mergulham nas profundas águas do oceano da beleza e do sentido de viver mais amplo. Daí surgem a espontaneidade das idéias, brotam com toda a força o movimento da criatividade, a arte ganha vida, como se uma primavera começasse a florir com toda a intensidade de cores dentro de nós. Tudo isso não é uma iluminação mística, é algo incomum, porque a maioria das pessoas se conforma com o movimento vital vicioso, a vida como um simples movimento rotativo e rotineiro sem sentido abrangente, limitado pelas circunstâncias de um corpo em atividade e uma mente cativa da rotina, ao invés de cultivada por sentimentos e pensamentos nobres. Eu creio que todas as pessoas tem possibilidade de mudar, e sempre para melhor, tem possibilidade de se desenvolver, entrar numa dimensão mais abrangente de existência e penetrar na esfera das coisas incomuns. Mas para isso, a visão e a determinação precisam estar aguçadas desenvolvidas e abertas para o belo. A estética da inspiração tem suas matizes no coração que consegue penetrar nas coisas da existência com mais profundidade, e ver além do normal. Comece a ver a vida assim, e você verá como as coisas ganharão mais sentido, e como o processo de maturidade vai se acelerar na sua vida. Viver é uma questão de sensibilidade e a sensibilidade processa o fluir das coisas belas e elevadas dentro de nós. Tente mergulhar com mais sentido na vida e nas coisas belas que nos rodeiam, cultivar o silencio unido a reflexão, não a passividade mental, mas ao cultivo de pensamentos belos, construtivos e elevados. O crescimento interior amplia o nosso caráter, e eleva a nossa existência para o grupo daquelas pessoas que foram ou que são especiais. 

Clavio Juvenal Jacinto