Senti o calor do verão. Era como o sol nascendo a centímetros de mim – deitada na grama e observando os pássaros dançarem. Esperava algo que não aparecia, não tinha jeito. Acordes de uma sinfonia. A cada momento em que fechava os olhos, sentia-os tais quais borboletas a bater forte as asas, arcoiresmente coloridas e graciosas – beijinhos de borboleta.

Decidi rolar na grama, deixá-la me embalar. Sem companhia ou comigo mesma, como preferir. A música parou. Deitei exausta e percebi que aquele trepidar das folhas-DJ não era em vão. Ouvi passos, mas quais? Cheiro de flor alguma, só o meu. Eu era a protagonista daquela fauna.

Simples toque de mãos. Para mim, tudo.

Tamanha sensação não sentira antes. Imaginava-a como o sol do verão que ia cobrindo os lírios vagarosamente; um sopro quente, atenuado por ligeiros calafrios. Era a mão dele sobre a minha.

Tamanha sensação não vivera antes. Breve brisa, respiração, toque.

Às vezes a vida nos faz dormir. Os sonhos, porém, continuam vivíssimos.