A construção (psicossocio)cultural da ideia de que somos “metades”, insuficientes, incompletos, imperfeitos se "somente" solo ou sós é perigosa em muitos sentidos. Particularmente, para autoestima e individualidade — sendo assim, para o equilíbrio e harmonia nas relações.

De um lado, tal visão tende a criar homens “cavaleiros em armaduras", que se pretendem corteses e protetores; mas, com frequência, mostram-se excessivamente dominadores, tratores da individualidade e da capacidade das mulheres — inclusive, de pagar as próprias contas —, reduzindo-as a enfeites curvilíneos de carne a serem comprados por quem der mais. No limite, temos homens que se sentem "donos" daquela mulher, agora, objeto; afinal, "investiram" muito mais do que tempo e sentimentos nela. Como se vissem seu porsche ou iate serem roubados diante de si, tais homens podem chegar a comportamentos terríveis, como possessividade desmedida, ciúmes doentios e até violência verbal e física. Basta assistir ao sangrento (mas dolorosamente realista) Datena para ter exemplos.

Do outro lado, a noção de que somos "metades" cria — com ajuda das dualidades distorcidas do que se tornou o feminismo — “self-entitled princesses”, ou princesas auto-intituladas. Essas criaturas passivas creem que merecem ser perseguidas, premiadas e aduladas com privilégios institucionais e pessoais todo o tempo. Ou seja, mulheres tratadas como troféus a serem conquistados por homens que, como cães de corrida, concorrem entre si atrás delas. O que, obviamente, termina por objetificar ainda mais as mulheres e a monetizar discretamente os laços, comprometendo qualquer chance de uma relação realmente equilibrada e baseada em respeito e em reciprocidade.

A prostituição é mais honesta.





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