Eu sou favorável a aprovação do PLC 122 e fiz campanha para isto.

Mas não acuso Moisés, nem a Bíblia. Quando eu comecei a estudar as Escrituras, garoto entusiasmado, tinha feito primeiro comunhão por aquele tempo, comecei lendo o Antigo Testamento. Quando vi que Abraão e outros agradavam a Deus oferecendo sacrifícios de animais, fiquei pesaroso. Não tinha coragem de matar as galinhas que minha mãe criava, além do medo de apanhar. Também lia que as pessoas ofereciam carneiros como sacrifício.

Não criávamos ovelhas. Então, me arrisquei, com muito medo de Deus, fiz um altar de tijolos, coloquei lenha e e alguns paes para oferecer a Deus. Fiquei orando e esperando o fogo aparecer como aconteceu com Abraão. Nada.

A culpa é de Moisés? da Bíblia?

Não. No caso eu era criança e não interpretaria a Bíblia corretamente. São fanáticos, sem a menor cultura, formação acadêmica, que ignoram completamente o contexto histórico e cultural em que a Bíblia foi escrita. Para alguns pastores e padres é como se a Bíblia fosse um livro que caiu do céu, pronto, e que os escritores não viveram entre os homens. Pura fantasia!

Neste ponto sou crítico aos seminários teológicos. Eles formam dogmáticos denominacionais e não teólogos cultos com relação as Escrituras.

Temos que distinguir o que na Bíblia é permanente e o que nela é transitório. Moisés viveu numa época (História Antiga), numa cultura completamente diferente da nossa. Eu tenho uma amiga na Universidade, professora, que é japonesa. Ela me mostrou como são feitos os enterros no Japão. Qualquer ocidental, cristão, ficaria horrorizado achando que é o maior desrespeito com o morto.

Casamento, divórcio, condição da mulher, escravidão, sexualidade, relação de trabalho, democracia, liberdade, hospitalidade, são questões que nos tempos bíblicos eram completamente diferente dos nossos. E não servem para nos nortear o caminho hoje. Moisés não conheceu a democracia, o Estado democrático de Direito e no tempo dele não havia a ONU. Ele não tem culpa. Culpados somos nós que aplicamos uma realidade de mais de 2000 anos num moderno que não tem mais nada a ver com aquilo. Até a morte do apóstolo João, pelo ano 100 d.C. não haviam cartórios civis no mundo, não havia casamento civil, não havia namoro nem noivado. Quando a Bíblia fala em divórcio, fala de um tipo de separação que não existe mais hoje.

A condenação bíblica à homossexualidade é apropriada de uma sociedade teocrática, onde o sexo era apenas para reprodução, onde não ter ou não fazer filhos era uma maldição (mãe de Samuel, Sara, por exemplo). A cultura judaica e semita eram assim, já os outros povos da Palestina mais abertos, porém, rigorosos na pena de morte e na pilhagem. O Império Romano sob o qual Paulo viveu, um mundo de culto ao machismo, a guerra, ao homem forte nas armas e na cama.

Os protestantes tem uma doutrina, eu esposo ela com muito orgulho, que é a separação entre IGREJA e ESTADO. Muitos evangélicos, católicos, da trupe do Malafaia, desses dinheiristas de plantão, pretendem no Brasil um governo e um país fundamentalista-protestante. Daí, hipócritas, continuam condenando as perseguições do catolicismo em outros países, perseguições do luteranismo e calvinismo. Incoerência.

E para concluir, é falsa essa idéia de que Deus pertence apenas a esta ou aquela igreja, que Deus é exclusivamente dos fundamentalistas, coisa parecida. No Brasil não é a homossexualidade que causa males, é a corrupção, a miséria forçada pelas classes dominantes do país, os desvios de dinheiro público e a exploração religiosa feita em nome da fé dos humildes.


Acir da Cruz Camargo
(hermenêutica, apologética, Bíblia, homossexualidade,Acir da Cruz Camargo)



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