Na luta pela cultura brasileira, o desempenho intelectual dos teólogos, religiosos, pastores, estudiosos, curiosos e padres em geral, importa-nos atender toda a produção acadêmica do Dr. Russell Norman Champlin. Interessado na divulgação do seu pensamento e obra, tendo convivido com ex-colegas de Faculdade dele e pelo apreço que consagro à sua generosa pessoa e pensamento teológico, preciso responder alguns comentários ingênuos, descabidos, farisaicos e preconceituosos a respeito disto. Russell Champlin é o filósofo brasileiro da religião e da teologia. Dificilmente nos séculos XX e XXI a sociedade de língua portuguesa encontrará outro mais erudito, que tenha marcado o pensamento filosófico-teológico que ele. Divulgar suas teses, debatê-las, em todos os níveis universitários ou não é o desafio, a batalha para a qual devemos nos alistar.
Já existe no cenário religioso e teológico a participação de falas e comentários revelando compreensão exata, coerente, honesta, respeitosa e aberta das idéias contidas na imensidão da produção acadêmica do Dr. Russell. Ele deseja esse debate, no nível do respeito, da humildade, do reconhecimento nosso de que o conhecimento é questão de tempo e maturidade, caminho aberto e infinito, sem radicalismos e dogmas definitivos, coisa que não consta na metodologia de qualquer ciência decente. Champlin quer construir esse diálogo amoroso, não apenas no campo da hipocrisia fanática, mas do encontro pessoal, verdadeiro.
Diferenciemos crenças particulares, denominacionais do antiintelectualismo, que resulta no medo de enfrentar o desconhecido, que causa pânico em perceber que, fora do nosso grupinho seleto de pseudo-iguais, existe a discordância, pluralidade de idéias e comportamentos. Nisso cabe uma reflexão sobre o ementário dos seminários teológicos, que procuram "formar e conformar" pastores e padres no enquadrinhado de determinadas concepções teológicas que aquele grupo enxerga como viável. De maneira infantil, nosso antiintelectualismo, nos obriga a admitirmos que a Bíblia caiu pronta do céu, encadernada, com zíper, páginas numeradas, sem qualquer sentido na História, sem qualquer relação com o pensamento filosófico da época, sem contexto cultural. Esse é um ponto de partida para se entender o preconceito, a ingenuidade, o temor farisaico que se continua alimentando em relação a obra de Russell Norman Champlin. Estamos na idade das trevas do protestantismo