Pa pa paparazzi

27 de Julho de 2011 Fernanda com F Ensaios 1055

O sentimento de um fã é algo incondicional. Não há condição adversa que o faça parar de ter e cultivar sentimentos de fã. É aquele que admira, que venera, que não perde o senso crítico sobre o ídolo.
Comumente os ídolos são artistas. Especialmente hoje, quando está tudo distorcido. É uma admiração instantânea por alguém que está na mídia porque é bonito de corpo, não tanto talentoso.
O talento não é descartável.
Todo o furor da admiração é como estar apaixonado, mas sem alguém que proporcione a reciprocidade, por estar longe o bastante; tudo é meio reconhecido superficialmente. Ou não.
Ainda que todo o dito amor de um fã seja reconhecido, não será realmente completo; não haverá a pessoa física, o que é deveras de interesse.
Está todo mundo cuidando da sua vida. Tem uma parcela que se dedica a cuidar da vida dos outros. Não é pai nem mãe. É admirador que gesta uma esperança por mais de nove meses e se decepciona diariamente por não ser ouvido; não estar na cabeça do astro como ele está na sua.
Isso causa um pouco de angústia, mas é inteligível. Por que não entender tanta gente que morre por alguém sem que esse nem mesmo saiba que está sendo seguido?
Glamourizar tudo, hoje é um fato. Todos ou quase querem ser uma faísca do holofote; aparecer e fazer todos o adorarem. Falta amor no mundo.
O sucesso é fruto do trabalho bem feito. A fama, essa é fruto do trabalho bem feito; é consequência e não é o melhor da carreira.
Como boa observadora, posso concluir que a fama aliena e quem se sente mais sozinho é o fã. O ídolo está trabalhando, namorando, experimentando. O fã dedica os dias a esperar uma resposta do ídolo no twitter.
Por favor, isso não é um desdém.
Sou fã também; não há uma medida para esse sentimento. É uma coisa tão forte, inexplicável. Mesmo que se julgue tolo o fato de querer ser reconhecido pelo ídolo, afinal ele é uma pessoa como todas as outras, há uma força ímpar que nos dá pulso a querer pegar autógrafo, tirar fotos.
Talvez a necessidade de mostrar aos outros que você esteve com uma pessoa importante, que exerce influência sobre tantas seja o que move toda esta hesitação.
A aflição está em saber que ele/ela não nos conhece e, provavelmente não vai ser nosso conhecido de todo dia, muito menos, melhor amigo. Talvez perca o encanto.
Viver é o mais importante; não deixar que se esvaia toda a magia de ser o admirador secreto de todos os dias, de ver o ídolo quando em meio a muita gente.
Bom é não perder o gosto daquele friozinho na barriga ao trocar duas ou três palavras, ainda que soltas e sem resposta. Este tipo todo de amor não pode acabar. Porque celebridades somos todos nós.

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