POLLYANNA

30 de Julho de 2011 Abreu Ensaios 1134

Como todo adolescente, ingressei na puberdade recheado de dúvidas, angústias e indagações. Nascido na efervescência da ditadura militar em uma família de classe média em cidade do interior da Bahia com menos de 30.000 habitantes, tinha na religião católica e nos conselhos de pais severos os alicerces para galgar degraus, os quais se revelavam cada vez mais estreitos. Nessa fase onde a adrenalina corre solta pelas veias e os limites estão expandidos em profusão, montou-se próximo à minha casa uma loja de discos onde, após as tarefas escolares, ficava a me deleitar com os lançamentos nacionais e internacionais, de todos os segmentos possíveis, conforme o gosto do funcionário presente no horário. Foi nesse ambiente, a me deliciar com todo tipo de música, que me apaixonei pela primeira vez. E ficava a sonhar, em toda essa fase, desejoso das coisas boas que a vida poderia oferecer.

Um belo dia, visitando a casa de um tio, possuidor de uma pequena biblioteca, me deparei com um livro que, aparentemente, nada demais poderia incorporar. Aos poucos, dando sequência à leitura, fui-me envolvendo, hipnotizado em enxergar o viver tão fácil que de pronto refiz meus conceitos, modifiquei meu pensar, purifiquei minha alma.

Nessa época, livros para mim, igual a todos os meus amigos, servia somente como leitura obrigatória do colégio. Fazíamos os planos futuros baseados nos mesmos conceitos de um todo, sem nunca imaginarmos algo diferente. Lendo esse livro, amadureci de tal maneira em curto espaço de tempo, que até os amigos mais íntimos se assustaram com a mudança. Logo, após um período fechado em meu mundo, coloquei em prática os ensinamentos que aprendi com a leitura, com um fervor incompreensível até para mim, que mal acordava a felicidade já se desenhava em meu semblante. Fazia de cada tarefa, cada brincadeira, cada palavra dita, valores preponderantes que aos poucos, fui me destacando pelo bom humor, pela facilidade no diálogo, pela resolução de todo e qualquer problema.

Apesar de ser um livro voltado para um público infanto-juvenil, sugiro a leitura a quem ainda não o leu. Praticar o jogo do contente proposto pela delicada Pollyanna contagiou a minha vida e pode proporcionar a cada um de vocês prazeres indescritíveis.

Música e leitura: as melhores “viagens” que esta vida pode proporcionar. Quanto mais cedo embarcarmos nessa barca, melhor ainda.

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