No principio o mar se fez sopa

amonia e razao humana

mistura de ideias, mitos

contradiçoes e confitos

A luz raiou,

da sopa brotou

um ser ninguem

que aos poucos se fez alguem

na praia se arrastando

a areia lambendo

triste ser rastejante 

tao feio

repugnante!

Chegou na firme terra

meio achado e meio perdido

sem olhos, sem destino

iludido

queria achar um destino

Achou pernas e consciencia

haja paciencia

ate racional se tornar

a terra vira mar

credo!

Cansado de se transformar

se informou

da sopa sai, nada sou

pra la vou voltar

melhor nadar do que pensar

Cruz credo! pra la voltou e nunca retornou

mas na areia ficou marcado

que por ali tinha passado

e quando alguem passou por ali

descabido, disse

meu avo passou por aqui

Assim nasceu a triste ideia

sei la. ideologia?

de que o homem uma vez foi verme

e que saiu da sopa fria e

e por si mesmo rastejou

Que virou homem, consciente

virtuoso, educado e amavel

que lamentavel!

mesmo sendo tao dificil de aceitar

a anedota virou teoria

os sabios passaram a ensinar

Que e vero e nato

que tudo e fato

e iludido, porem perdido

entre o portico da sua propria razao

ate hoje o homem cava no chao

procurando as evidencias

Mas o tal verme ensopado

rindo as tontas, destruturado

ainda continua vivendo

na imaginaçao,

convivendo de modo tao normal

com a ciencia racional

Assim daquele mar tao ensopado

viveu um verme todo molhado

que mesmo sendo um mito

virou animal, como um cabrito

embora, e verdade ninguem nunca viu

colocaram na ciencia que ele um dia existiu